Entrevista com Ulisses Maia, candidato à prefeitura de Maringá pelo PSD

A entrevista com Ulisses é a décima da série de matérias com os prefeituráveis de Maringá

Entrevista com Ulisses Maia, candidato à prefeitura de Maringá pelo PSD
Intuito da série de entrevistas é fazer com que o público conheça um pouco mais sobre os candidatos, suas opiniões e propostas. - Foto: Divulgação

Ciente da importância do papel eleitoral de cada cidadão, o Maringa.Com realizou uma série de entrevistas com os candidatos e candidatas à prefeitura de Maringá. As entrevistas consistem em um questionário com 13 perguntas abordando diferentes aspectos e problemáticas da cidade.

A entrevista com o candidato Rogério Calazans foi adiada devido à problemas com o documento contendo as respostas da entrevista. Em breve a matéria com o candidato será publicada. Confira as respostas do candidato Ulisses Maia:

Nome de Urna:
Ulisses Maia

Nome completo:
Ulisses de Jesus Maia Kotsifas

Data de nascimento:
2 de setembro de 1969

Filiação (Partido):
PSD

Cargos políticos exercidos:
Prefeito, Vereador, Presidente da Câmara Municipal de Maringá, Chefe de Gabinete da Prefeitura de Maringá, Secretário Municipal da Assistência Social, Coordenador do Procon, Diretor Jurídico da Câmara de Vereadores.   

Qual é a vocação de Maringá (turismo, indústria, educação, etc.) e qual será o foco para explorar e ampliar este perfil que a cidade possui?

No final da década de 1970, após a grande geada de 75, Maringá deixou de ser uma cidade com maior foco no comércio e nos negócios agrícolas. A prestação de serviços provocou uma transformação na economia, com desenvolvimento nos mais variados setores. Em vez de grandes indústrias, o município optou por atividades bem menos poluentes e mais geradoras de empregos. Esse modelo foi sendo desenvolvido até hoje, quando temos como grande exemplo o setor de tecnologia.

O crescimento das empresas de TI tem garantido uma expressiva arrecadação ao município. Somente com o ISS são cerca de R$ 22 milhões por ano. O setor com mão-de-obra qualificada e um imenso potencial de desenvolvimento.  É por isso que investimos no Parque de TI, em área de 180 mil metros quadrados. Também já em processo de revisão a Lei do ISS, com proposta de alíquota única de 2% para todo o segmento de TI, além da consolidação dos editais de demandas municipais da Lei de Inovação. Teremos um aporte de R$ 2 milhões ao Fundo de Inovação para estimular investimento em projetos locais de tecnologia. 

Há, porém, outros setores a serem desenvolvidos. Somos um grande pólo de educação, com a UEM e mais três centros universitários privados, além de outras 16 faculdades. O município investe em programas como o Promube, que garante uma parceria com as faculdades e universidades particulares e ajuda milhares de jovens a ter bolsas de estudo para concluir o ensino superior. Nossa relação de colaboração com a UEM também ajuda muito na resolução dos problemas comuns em universidades públicas. 

As características da nossa cidade permitem ainda um planejamento para o crescimento de outros setores. Ainda temos muito o que fazer na área de turismo e o Maringá Encantada mostrou que há um potencial a ser explorado para desenvolver o turismo de eventos, sejam eles de negócios, culturais ou de lazer. É um setor que traz excelentes resultados econômicos. Pesquisa do Codem apontou um aumento de quase R$ 25 milhões na arrecadação de ISS e ICMS na última edição do Natal Encantada. Foram mais de 1,2 milhão de visitantes. É lazer, é cultura, mas é principalmente um negócio rentável para a iniciativa privada e a própria Prefeitura. 

Uma reclamação recorrente de quem mora na periferia é de que as ações governamentais ocorrem mais no centro. Se eleito, o que fará em prol da área periférica de Maringá?
    
Nossas principais obras e melhorias foram para atender aos moradores dos bairros. Quando construímos o Terminal Said Ferreira, por exemplo, trouxemos mais conforto no embarque e desembarque dos ônibus urbanos, um sinal de respeito a quem precisa do serviço de transporte coletivo para trabalhar na região central.  

Temos dezenas de outros exemplos, como a Avenida Carlos Borges, uma obra espetacular feita para atender principalmente os moradores dos bairros da Zona Sul. É só perguntar a quem usa a avenida diariamente para saber o quanto melhorou a vida dos que fazem o trajeto bairro-centro. A Avenida Campolina foi concluída, a Rua Cristal e agora o prolongamento da Avenida Herval, todas em bairros e todas de grande importância para a mobilidade. Também estamos investindo mais de R$ 22 milhões em recape asfáltico, investimento todo nas ruas e avenidas dos bairros. 

Outro grande exemplo é o Hospital da Criança e daqui a poucos meses também o Hospital da Mulher. São obras grandiosas para atender a todos os maringaenses. A pista do aeroporto está sendo ampliada, a rodoviária vai ser reformada com obra que começa até o final deste ano e assim por diante. São realizações que mostram que sempre governamos para todos os maringaenses, independente de onde cada um mora.   

Estamos reformando praças e transformando em excelente locais de lazer e convivência das famílias não apenas no Centro. A Praça Farroupilha é no Jardim Alvorada e está linda depois de revitalizada. A Praça da Glória, no Jardim da Glória, foi refeita, inclusive com pista de skate. Colocamos 30 tabelas de basquete em várias regiões da cidade. A Praça Todos os Santos está quase pronta e a mudança vai resolver o problema de trânsito de quem mora nos bairros da Zona Sul.Tivemos ainda a construção, ampliação ou reforma de 24 CMEIs e escolas. Outras 5 unidades estão em obras. 
           
Qual será o principal projeto cultural e como será realizado?

Pelo menos três grandes projetos estão no plano de governo da próxima gestão: implantação do Centro Cultural Plaza (antigo Cine Plaza), que vai abrigar a sede da Secretaria de Cultura, auditório Casa do Cinema e Museu de Arte Contemporânea no pavimento 3, criação do Museu Histórico de Maringá no antigo prédio do aeroporto e construção da nova Biblioteca Central, em terreno no Novo Centro, próximo ao Terminal Said Ferreira.  Devemos destacar que reformamos o prédio do Centro de Ação Cultural – CAC, os  teatros Barracão e Reviver, além de aumentar para R$ 8 milhões o investimento no Prêmio Aniceto Matti. Também ampliamos a aplicação de recursos e garantimos destaque em eventos como Flim, Virada Cultural e Festival Afro. 

Nos últimos cinco anos, a população em situação de rua dobrou em Maringá. De acordo com a última pesquisa realizada pelo Observatório das Metrópoles, em 2019 o índice foi 27% superior ao ano de 2018 e muitos indivíduos estão nessa situação há menos de um ano. Como o município pode auxiliar para que essas pessoas saiam da situação de rua? 

A recessão na economia a partir de 2015 reflete diretamente nos problemas sociais e o município é que sente diretamente essa consequência. Desde o início da nossa gestão decidimos enfrentar esse questão sem maquiagem e de maneira direta. Abrimos o CRAS Branca Vieira e as Unidades de Atendimento de Assistência Social São Judas e Floriano. Ampliamos de 800 para 1.875 cartões de alimentação para as famílias em vulnerabilidade social, além de aumentar o valor de R$ 70 para R$ 90. Também implantamos o Abrigo Municipal para Crianças.   

Já temos recursos para a construção de mais três Restaurantes Populares. Nosso serviço de abordagem de rua é feito 24 horas por dia. A Secretaria de Assistência Social providencia documentos, roupas, alimentos e abrigos para quem está na rua. Sabemos que a situação de rua infelizmente está muito ligada ao alcoolismo ou consumo de drogas ilícitas. Fizemos parceria com várias entidades e aumentamos em 75% a oferta de vagas em comunidades terapêuticas. Mais 24 entidades ganharam a cessão de uso de imóvel para ampliar o atendimento da rede. 

Vamos continuar e ampliar esse atendimento, sem esconder que o problema existe e sem empurrar para fora do município quem precisa de um atendimento digno. Sempre fizemos uma gestão humanizada e não vamos abrir mão dessa política de assistência social.   

Após dois anos consecutivos em primeiro lugar como a melhor cidade do Brasil, Maringá caiu de posição e se encontra em segundo lugar no ranking “Desafios da Gestão Municipal (DGM)” que analisa quatro setores fundamentais: saúde, educação, segurança e saneamento e sustentabilidade. Na sua opinião, quais medidas deveriam ser tomadas para Maringá recuperar a liderança? 

Seremos sempre referência em gestão municipal. Somos exemplos em educação, com as melhores condições do país para alunos e professores, como exemplo temos a qualidade dos uniformes, material escolar e aquisição de quase 2 mil notebooks e vamos estender a todos os alunos do Ensino Fundamental.  O resultado no investimento já começa a aparecer no melhor desempenho no Ideb. Maringá teve a maior nota entre as grandes cidades do Estado e a maior nota da história do município. Vamos melhorar ainda mais. 

Na saúde tivemos avanços indiscutíveis, como o aumento da capacidade do Hospital Municipal, que passou de 34% para 93% de ocupação, com mutirões de cirurgias e consultas especializadas. Nossa estrutura melhorou muito e o paciente passou a confiar mais no sistema. Provamos isso no enfrentamento da epidemia de dengue e na pandemia do coronavírus. Nenhum maringaense ou morador da região que precisou dos nossos serviços deixou de ter um atendimento rápido e eficiente.  

Na segurança a Guarda Municipal passou por uma grande transformação, com a implantação do Estatuto da GM e Plano de Carreira. Isso permite que a partir de agora seja aumentado o efetivo. Foram adquiridas 12 viaturas novas, duas vans para posto móvel e compradas as armas e munições letais para os agentes com formação técnico-profissional. Agora vai ser implantado o sistema integrado de monitoramento, com 70 câmeras de alta resolução. 

No saneamento Maringá já é exemplo para o país, mas ainda pode melhorar. Conseguimos com a Sanepar a destinação de recursos para a rede de esgoto nos distritos de Iguatemi e Floriano. Também temos água tratada em 100 por cento dos domicílios. 

Na sustentabilidade o trabalho é permanente. Investimos em negócios limpos. Triplicamos o volume da coleta seletiva, incentivamos empresas parceiras e aprovamos o Plano de Arborização que já está sendo implantado. Também temos um grande programa de recuperação dos fundos de vale, com a implantação de parques lineares e regularização das construções antigas afetadas pela lei que proíbe edificações em áreas com distância inferior a 60 metros dos fundos de vale. 

A pandemia do Coronavirus acarretou uma crise no mercado formal em Maringá. De acordo com dados do Ministério da Economia, cerca de 9,5 mil maringaenses solicitaram o seguro-desemprego entre abril e junho de 2020. Este foi o maior patamar trimestral da série histórica, desde o ano 2000. De que maneira a prefeitura poderia amenizar esses números e quais seriam as medidas adotadas? 
    
A pandemia provocou uma retração praticamente em toda a economia mundial, mas estamos preparados para a retomada do crescimento. Tomamos as medidas necessárias para salvar vidas, mas também para preservar empresas dentro do máximo possível diante dessa situação difícil. Prorrogamos o prazo para pagamento dos impostos municipais e injetamos mais R$ 2 milhões no Fundo Noroeste, que atende os empresários com empréstimo em condições especiais. O resultado é que a recuperação tem sido mais rápida, até porque a maioria das atividades deixou de funcionar por pouco tempo. 

Pensamos sempre à frente e há dois meses o município trabalha com o Sebrae na elaboração de um plano de retomada econômica. Em setembro já tivemos aumento na oferta de empregos e hoje há oferta de mais de 600 vagas em Maringá. A arrecadação do município está voltando ao normal, sinal de que as empresas também estão em reaquecimento. Com as medidas sanitárias e econômicas, logo a economia de Maringá estará em ritmo acelerado.          

O Plano de Mobilidade de Maringá, o PlanMob, tem como principal objetivo estabelecer um trânsito menos poluente, com maior qualidade no transporte coletivo e viabilidade para o uso de bicicletas como meio de transporte. Considerando a realidade maringaense, quais destes fatores seria o principal obstáculo a ser superado para a implementação do PlanMob de modo efetivo?

Todas as medidas que serão apontadas no Plano de Mobilidade devem ser convergentes com um trânsito mais sustentável e seguro. Transporte coletivo mais eficiente, rápido e acessível e com tarifa acessível tem potencial para tirar veículos das ruas e, em consequência, permitir fluxo mais rápido e com a segurança necessária, além de reduzir a poluição. Portanto, investir nesse modal, com a criação do corredor de ônibus leste/oeste e modernizando a via norte/sul é medida planejada. Importante também é estimular o uso de bicicletas como transporte alternativo, ampliando a rede de ciclovias, nas avenidas Tuiuti e Cerro Azul, além de reformar antigas rotas, como da avenida Pedro Taques  o trecho da avenida Brasil entre a Praça Rocha Pombo e Souza Naves. 

Na sua opinião, qual é o principal problema a ser resolvido em Maringá? E como pretende resolvê-lo?

O principal problema de Maringá é o mesmo apontado há décadas: a saúde. Com o sistema universal de atendimento - e tem de ser esse modelo mesmo - os recursos do SUS nunca são suficientes para um bom atendimento médico e hospitalar. É uma eterna luta para que o município, que é o gestor do sistema, garanta consultas especializadas, vagas de internamento, UTI e fornecimento de remédios. Tudo é previsto na Constituição Federal e o cidadão faz valer esse direito. 

Por lei nós somos obrigados a investir no mínimo 15% por cento na Saúde e investimos cerca de 23%. O município faz esse esforço e já conseguimos melhorar muito a qualidade do atendimento. Agora mesmo o sistema mostrou-se fundamental no momento da maior crise sanitária em um século. Não fosse o investimento e planejamento da Prefeitura, mais os recursos dos governos federal e estadual, não teríamos êxito no enfrentamento à Covid-19. Nunca faltou vaga em enfermaria ou em UTI. Lamentavelmente aconteceram mortes, mas em número significativamente inferior ao registrado em outras cidades com o mesmo número de habitantes de Maringá.   

Em quatro anos nós aumentamos de R$ 396 milhões para R$ 500 milhões por ano os investimentos na saúde, aumentando a capacidade do Hospital Municipal e ampliando bastante o número consultas especializadas, exames e cirurgias. Os mutirões vão continuar sendo feitos para reduzir ao máximo a espera por atendimento. Além disso estamos concluindo a construção do Hospital da Criança e está tudo pronto para a construção do Hospital da Mulher e das UBS Maringá Velho e Conjunto Paulino. Além das obras, também vamos ampliar o Serviço de Atendimento Domiciliar, com médico e enfermeiro indo à casa do paciente. 

CANDIDATOS – O intuito da série de entrevistas é fazer com que o público conheça um pouco mais sobre os candidatos, suas opiniões e propostas. Confira a data de postagem de cada matéria. A ordem estabelecida é alfabética:

  • Akemi Nishimori - PL (5 de outubro)
  • Anníbal Bianchini - PTC (6 de outubro)
  • Audilene Rocha - Progressistas (7 de outubro)
  • Carlos Mariucci - PT (sem respostas)
  • Dr. Batista - DEM (8 de outubro)
  • Eliseu Fortes - Patriota (9 de outubro)
  • Evandro Oliveira - PSDB (13 de outubro)
  • Homero Marchese - Pros (14 de outubro)
  • José Luiz Bovo - Podemos (15 de outubro)
  • Professor Edmilson Aparecido da Silva - PSOL (16 de outubro)
  • Rogério Calazans - Avante (adiado)
  • Ulisses Maia - PSD (19 de outubro)
  • Valdir Pignata - Cidadania (20 de outubro)
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