Entrevista com Anníbal Bianchini, candidato à prefeitura de Maringá pelo PTC

Anníbal Bianchini é o segundo entrevistado da série de matérias com candidatos à prefeitura de Maringá

Entrevista com Anníbal Bianchini, candidato à prefeitura de Maringá pelo PTC
O intuito da série de entrevistas é fazer com que o público conheça um pouco mais sobre os candidatos, suas opiniões e propostas. - Foto: Divulgação

Ciente da importância do papel eleitoral de cada cidadão, o Maringa.Com realizou uma série de entrevistas com os candidatos e candidatas à prefeitura de Maringá. As entrevistas consistem em um questionário com 13 perguntas abordando diferentes aspectos e problemáticas da cidade. Confira as respostas de Anníbal Bianchini:

Nome de Urna:
Anníbal Bianchini 

Nome completo:
Anníbal Bonemer Azevedo da Rocha

Data de nascimento:
12 de julho de 1991

Filiação:
Partido Trabalhista Cristão (PTC)

Cargos políticos exercidos:
Nenhum

Qual é a vocação de Maringá (turismo, indústria, educação, etc) e qual será o foco para explorar e ampliar este perfil que a cidade possui?

Eu defendo uma política baseada em fatos e evidências. Sem “achismo”. Pelo Masterplan os 4 pilares econômicos de Maringá são: Desenvolvimento de Sistemas e outros serviços de informação; Saúde; Intermediação Financeira, seguros e previdência complementar; Educação. É necessário uma atualização do Masterplan, considerando as mudanças nesses últimos 4 anos, e principalmente os efeitos gerados no combate ao Covid-19.

Acredito num plano de retomada verde, há muito a ser explorado, novos empregos e áreas estão surgindo no campo de energias limpas, tanto no uso de placas solares como tecnologias avançadas nos processos de reciclagem que também geram energia. Para deixar Maringá competitiva, temos que investir na capacitação da nossa mão de obra, para podermos acompanhar as tendências mundiais, e manter a arrecadação saudável que garantem o desenvolvimento e qualidade dos serviços públicos.

Uma reclamação recorrente de quem mora na periferia é de que as ações governamentais ocorrem mais no centro. Se eleito, o que fará em prol da área periférica de Maringá?

Isso é falta de uma gestão técnica, que foca em resultados. Para isso vamos propor a gestão com subprefeituras, para dar mais autonomia a nossos bairros e distritos como feito em São Paulo. Do ponto de vista estratégico já temos um Plano Diretor que não condiz com a realidade do município, e um Plano Municipal de Habitação de 2010 que vem sendo atualizado por decretos. O objetivo do político é melhorar a qualidade de vida das pessoas, e um bom planejamento urbano, com zoneamentos bem pensados, com áreas verdes, largas ruas, serviços básicos de educação e saúde, condições para o comércio se desenvolver no próprio bairro, já garantem naturalmente mais qualidade de vida.

O que vemos hoje é o que foi nossa “Cidade Jardim”, “Cidade Verde”, planejada, arborizada, está se esparramando de forma desordenada. A gestão, pensada com profissionais técnicos e sempre envolvendo a comunidade garantem menos erros no futuro. É muito mais custoso arrumar do que planejar bem. Para os novos bairros e região periférica, vamos atualizar o Plano Municipal de Habitação, para termos diagnósticos e apontar soluções possíveis a serem realizadas a curto, médio e longo prazo.

Qual será o principal projeto cultural e como será realizado?

O principal projeto, além de garantir o bom funcionamento das suas atividades como a preservação do patrimônio da cidade e captação de recursos de editais e do governo estadual e federal, é mudar a visão. É preciso integrar Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico.

Qualquer apresentação, performance artística ou cultural, tendo conexão com os principais players das redes hoteleiras, restaurantes e bares, empresários ganha força e gera muitos recursos para nossa cidade. Eu não vejo essa integração acontecendo de forma natural, e acredito que o poder público deve promover essa conexão, para qualificar os eventos, e também fomentar o protagonismo dos profissionais de artes cênicas, música, dança, literatura, toda classe cultural de nossa cidade.

Nos últimos cinco anos, a população em situação de rua dobrou em Maringá. De acordo com a última pesquisa realizada pelo Observatório das Metrópoles, em 2019 o índice foi 27% superior ao ano de 2018 e muitos indivíduos estão nessa situação há menos de um ano. Como o município pode auxiliar para que essas pessoas saiam da situação de rua? 

Ainda não achei um diagnóstico que mostre quantos por cento dessa população é de Maringá ou veio para Maringá. Isso interfere muito na forma de agir, se nossa população está sofrendo impactos sociais e econômicos ou se estamos recebendo muito espólio de outros municípios. Eu acompanho projetos, que consistem em dar oportunidade de trabalho a pessoas em abandono.

Nossa proposta do programa “Trabalho Edifica” consiste em ter um veículo que vai até essas pessoas, faz o cadastro no CadÚnico caso não tenha, confere se estão portando seus documentos, oferece alimentação e higiene básica, e os leva para realizar serviços gerais da manutenção do município. Ao final do dia recebem um valor pelo serviço. Lembrando que essa é uma questão muito mais complexa, pois são os mais diversos motivos que levam o indivíduo a ser morador de rua. Por isso a cadastro deve ser especial, para o servidor da assistência social poder encaminhar ao acompanhamento correto. E esse servidor também precisa ter apoio da Guarda Municipal, para garantir sua segurança no desempenho da sua atividade, porque os moradores de rua podem estar sob efeito de álcool ou entorpecentes, ou sofrerem até de distúrbios mentais que os deixem agressivos.

Outras ações serão apoiar  instituições religiosas e universidades a desenvolverem programas voltados a reintegração desses indivíduos na sociedade. Uma gestão eficiente na assistência social, garante uma oportunidade de recomeço, e incomoda aqueles que estão ali por outros motivos. Esses acabam indo para outras cidades onde a gestão pública e a comunidade os deixam à vontade.

Após dois anos consecutivos em primeiro lugar como a melhor cidade do Brasil, Maringá caiu de posição e se encontra em segundo lugar no ranking “Desafios da Gestão Municipal (DGM)” que analisa quatro setores fundamentais: saúde, educação, segurança e saneamento e sustentabilidade. Na sua opinião, quais medidas deveriam ser tomadas para Maringá recuperar a liderança? 

Eu não teria o foco em títulos, que muitas vezes atrai para nossa cidade justamente o que não queremos. Mais importante que dar certe é fazer certo. Há muito a ser feito em todas essas áreas. Na educação mantemos um IDEB crescente, 7,2 agora na avaliação de 2019, mas a expectativa no Masterplan de 2016 era 7,7 para esse ano, e no Plano de Governo homologado em 2016 a meta era 8. Isso se dá pela própria gestão em si. É essencial a valorização dos professores, sua formação continuada.

Estudar e trazer para nossa gestão, políticas públicas como foram feitas em Teresina-PI, ou em Londrina que garantem uma boa remuneração, plano de carreira que valorize resultados conquistados pelos servidores e seus devidos métodos de avaliação e diagnóstico. Porque qualquer avanço pretendido nesses indicadores seja educação, saúde, segurança ou saneamento vai depender de uma gestão técnica e participativa, valorizando os bons servidores e os engajando para juntos com a sociedade civil e demais agentes melhorarmos nossa cidade.

A pandemia do Coronavirus acarretou uma crise no mercado formal em Maringá. De acordo com dados do Ministério da Economia, cerca de 9,5 mil maringaenses solicitaram o seguro-desemprego entre abril e junho de 2020. Este foi o maior patamar trimestral da série histórica, desde o ano 2000. De que maneira a prefeitura poderia amenizar esses números e quais seriam as medidas adotadas? 

Vale lembrar que uma boa parte dessa situação foi gerada pela paralisação precipitada do nosso comércio, que em sua maioria são pequenos e médios empresários que dependem do comércio de rua. Esse comerciante não tem fluxo de caixa para aguentar tanto tempo parado, o próprio setor de eventos ainda está aguardando um plano de apoio e retomada apresentado pela gestão pública. São essas ações que levaram 9,5 mil maringaenses a estarem desempregados.

O poder público terá a importante função de reverter os trabalhos informais que estão aumentado muito em trabalhos formais, qualificar a mão de obra em parceria com as universidades, escolas técnicas, sebrae entre outras para atender as vagas formais, que hoje inclusive estão tendo muita dificuldade para contratar. Só ver as vagas em aberto na agência do trabalhador e suas datas, estamos num dilema onde as empresas não conseguem contratar e à população de desempregados aumenta. 

O Plano de Mobilidade de Maringá, o PlanMob, tem como principal objetivo estabelecer um trânsito menos poluente, com maior qualidade no transporte coletivo e viabilidade para o uso de bicicletas como meio de transporte. Considerando a realidade maringaense, quais destes fatores seria o principal obstáculo a ser superado para a implementação do PlanMob de modo efetivo? 

Reduzir o valor das passagens do transporte público, e buscar novas soluções é prioridade, está caro e ineficiente. Precisamos ver todas atividades e seus reflexos de forma integrada, multisetorial. O planejamento de urbanismo e mobilidade urbana precisam ser harmônicas. Nosso Plano Diretor precisa ser atualizado e ficar condizente com a realidade da cidade. O Planejamento das novas áreas de habitação, novos bairros.

Implantar um novo Plano de Mobilidade Urbana nesse cenário, é um grande risco, o próprio Plano Municipal de Habitação é de 2010. Está sendo discutido a viabilidade de VLT na Av. Brasil ou Av. Colombo, o projeto das Ciclovias era pra conectar os principais eixos da cidade e precisa continuar pra fazer sentido. Está surgindo novas tecnologias em transporte público compartilhado, por aplicativo, patinetes, bicicletas, walk machines, hoverboard, triciclos, ou modalidades nunca antes pensadas. 

Na sua opinião, qual é o principal problema a ser resolvido em Maringá? E como pretende resolvê-lo?

Nós apresentamos um Plano de Governo, o qual pode ser acessado em nosso site: www.annibalbianchini.com.br como nunca antes apresentado numa disputa eleitoral em Maringá. Ele é fruto de muito estudo, muitas pessoas ouvidas, e escrito por mim, não por equipes contratadas. Eu participei da “Jornada para Futuros Prefeitos” realizada pela Universidade de Columbia, e apresentei propostas que vou trabalhar dia, tarde e noite para promover avanços em todas essas áreas.

Maringá é uma cidade incrível, e o principal problema que queremos resolver hoje é na gestão pública, oferecer a Maringá um prefeito apaixonado por sua cidade e seu povo. Que vai investir sua energia em deixar um legado, governar para os interesses de todos, em todos os bairros. A mudança está em nossas mãos, basta acreditarmos.

CANDIDATOS –  O intuito da série de entrevistas é fazer com que o público conheça um pouco mais sobre os candidatos, suas opiniões e propostas. Confira a data de postagem de cada matéria. A ordem estabelecida é alfabética:

  • Akemi Nishimori - PL (5 de outubro)
  • Anníbal Bianchini - PTC (6 de outubro)
  • Audilene Rocha - Progressistas (7 de outubro)
  • Carlos Mariucci - PT (8 de outubro)
  • Dr. Batista - DEM (9 de outubro)
  • Eliseu Fortes - Patriota (12 de outubro)
  • Evandro Oliveira - PSDB (13 de outubro)
  • Homero Marchese - Pros (14 de outubro)
  • José Luiz Bovo - Podemos (15 de outubro)
  • Professor Edmilson Aparecido da Silva - PSOL (16 de outubro)
  • Rogério Calazans - Avante (19 de outubro)
  • Ulisses Maia - PSD (20 de outubro)
  • Valdir Pignata - Cidadania (21 de outubro)
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