CULTURA

Maringá sedia Encontro Estadual do Baque Mulher com mais de 100 batuqueiras presentes

Programação inclui mesas de debate, oficinas por naipes, rodas de conversa, ensaios coletivos e apresentações culturais.

Maringá sedia Encontro Estadual do Baque Mulher com mais de 100 batuqueiras presentes
Foto da Mestra Joana Cavalcante, convidada do evento. - Foto: Encanto do Pina

Entre os dias 17 e 19 de abril, Maringá sedia o Encontro Estadual do Baque Mulher, iniciativa que reúne integrantes de diferentes filiais do Paraná em uma programação dedicada à formação, articulação e difusão do maracatu de baque virado.

Com atividades abertas ao público e ações internas voltadas às participantes, o evento é focado na valorização das mulheres dentro da cultura popular do maracatu e traz convidadas de referência.

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A programação é totalmente acessível em Libras e inclui mesas de debate, oficinas por naipes, rodas de conversa, ensaios coletivos e apresentações culturais, promovendo tanto o intercâmbio entre os grupos quanto a aproximação com a comunidade.

A realização é do Baque Mulher Maringá, que integra a rede nacional do movimento, reconhecido por fortalecer a presença das mulheres no maracatu. Um dos principais destaques da programação é a participação da Mestra Joana Cavalcante, do Recife (PE), primeira e única mulher a comandar uma nação de maracatu, além de outras batuqueiras que atuam na preservação e transmissão desses saberes tradicionais.

“É um espaço de afirmação da vida negra em sua dimensão artística, espiritual e ancestral. Reunindo cerca de 100 batuqueiras sob a regência da Mestra Joana de Recife, fortalecemos o Maracatu como expressão viva da diáspora negra e instrumento de enfrentamento ao racismo religioso. Realizado em um ponto de cultura negro, o encontro dá relevo às nossas tradições e nossos modos de existir. Afirma também o corpo das mulheres negras para além da dor e do cuidado imposto, um corpo que celebra, ocupa e cria. Em um contexto de tantas violências, celebrar a vida das mulheres é, em si, um ato político”, afirma a coordenadora geral do projeto e coordenadora do Baque Mulher Maringá, Laís Fialho.

O encontro terá representantes das filiais de Foz do Iguaçu, Matinhos, Curitiba e Londrina e é viabilizado por meio do Chamamento Público nº 001/2024 – Edital Multiartes do Governo do Estado.

Com entrada gratuita nas atividades abertas, busca ampliar o acesso à cultura, fortalecer redes de mulheres e promover a circulação de práticas e conhecimentos ligados ao maracatu.

A iniciativa também se consolida como um espaço de troca entre diferentes territórios, reafirmando a importância da cultura popular como instrumento de resistência e transformação social.

O Baque Mulher é um movimento de empoderamento feminino, criado em 2008 pela Mestra Joana Cavalcante, que hoje ocupa o Brasil todo.

“Esse intercâmbio é, antes de tudo, um encontro de história dessas mulheres, de forças, de ancestralidade. Então, trazer as mulheres de Recife para Maringá é permitir que a gente se reconecte com as nossas raízes, fortaleça nossos laços e reafirme a potência do maracatu como expressão de resistência e também transformação. É o poder de ver mulheres juntas construindo novas possibilidades, novos caminhos”, diz a produtora executiva Fernanda Santos, proponente do projeto e participante do Baque Mulher Maringá.

Confira a programação completa

17 de abril (sexta-feira)

  • 19h às 22h – Aberto ao público:
    - Mesa: Mulheres negras no maracatu, nas artes e na educação
    Convidadas: Mestra Joana Cavalcante, Bianca Silvério e Eloá Lamin (Mediação: Laís Fialho)
    - Samba com Pé de Laranjeira

18 de abril (sábado)

  • 9h às 12h – Oficinas de maracatu por naipes
    Convidadas: Mestra Joana Cavalcante, Jamile Passos, Marta Santos, Andréia Duarte e Sandrinha Viana
  • 12h às 14h – Ajeum coletivo
  • 14h às 18h – Oficinas do Baque Mulher e roda de conversa entre as filiais
  • 18h30 – Samba de roda de Maré (aberto ao público)

19 de abril (domingo)

  • 10h às 12h – Ensaio do Baque Mulher (filiais)
  • 14h – Ajeum coletivo
  • 16h às 22h – Aberto ao público:
    - Festejo de encerramento
    - Dança dos orixás com Mestra Joana Cavalcante
    - Apresentação das filiais do Baque Mulher do Paraná
    - Samba das Cabrochas
    - DJ Talita Trovoada
    - Feira de expositores
    - Espaço infantil

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