PCPR deflagra megaoperação contra jogos ilegais em Maringá e outras 18 cidades do Paraná
Ofensiva também se estende para outros quatro estados. Grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões em jogos de azar.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou nesta terça-feira (7) uma megaoperação contra um grupo que movimentou mais de R$ 2 bilhões em jogos de azar. A ofensiva acontece em cinco estados — Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás — e, até o momento, 55 pessoas já foram presas.
A atuação dos policiais acontece em Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina, Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal, Apucarana e Alvorada do Sul, no Paraná; Praia Grande e São Paulo, em São Paulo; Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia, em Goiás; Caçador, em Santa Catarina; e Castanhal, no Pará.
Ao todo, foram expedidas 371 ordens judiciais, sendo 85 mandados de prisão preventiva, 102 mandados de busca e apreensão e 184 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias. Entre os presos estão as principais lideranças do grupo, dois vereadores e membros dos núcleos financeiro e operacional.
A investigação teve início em 2023, na cidade de Grande Rios, no Paraná. A PCPR analisou mais de 2,6 terabytes de dados e 520 mil operações financeiras, por meio de 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 afastamentos de sigilo fiscal.
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O grupo tinha atuação nacional e foi responsável pela estruturação de um conglomerado empresarial, resultante da fusão entre dois dos maiores grupos dedicados à exploração de jogos ilegais no país: um paranaense e outro goiano.
A investigação apontou a movimentação de mais de R$ 2 bilhões por meio de 522 mil operações financeiras, com a exploração dos jogos de azar. Foi identificada, ainda, a utilização de diversas fintechs para a movimentação de valores por meio de contas bolsões, que impediam a identificação da origem e destino do valores transacionados.
Atuando há mais de 10 anos de forma ordenada, o grupo possuía milhares de pontos de exploração de jogos ilegais, sendo 15 mil deles do jogo do bicho. Entre os crimes identificados estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais.
Os suspeitos exploravam diversas modalidades de jogos de azar, se estruturando por meio de um sistema que incluía liderança/gestão, núcleo financeiro, suporte tecnológico e operacional.
"Também evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa, integrando na economia formal valores obtidos”, afirma Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, delegado da PCPR
A fim de ocultar a origem dos montantes obtidos por meio das operações ilegais, os investigados se utilizavam de contas bancárias de laranjas, por meio dos quais foram movimentados milhões de reais, com milhares de operações financeiras realizadas de forma consecutiva e sequencial a fim de ocultar a origem e o caminho percorrido pelos valores auferidos pelas diversas células criminosas.
Além da lavagem de dinheiro, os investigados mantinham uma empresa de T.I voltada para o desenvolvimento de sistemas e plataformas online de exploração de inúmeras modalidades de jogos de azar. Nessa empresa, atuavam diversos técnicos diuturnamente na manutenção de sites e softwares utilizados pelo empreendimento.
"Por meio dessa empresa foram desenvolvidas plataformas de exploração de jogos ilegais denominadas, por meio das quais ocorria a transmissão dos jogos ilícitos e se fazia o controle financeiro da exploração do jogo do bicho e outras modalidades de jogos. Esse sistema era utilizado em pelo menos 14 estados da federação, por dezenas de 'bancas' de jogo do bicho”, conclui o delegado.