“Brechó Escalafobético” celebra as peças excêntricas e extravagantes da artista Célia Regina
Acervo poderá ser visitado a partir do dia 22 de janeiro, no Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC) de Maringá.
Aos 83 anos, a artista Célia Regina vai realizar um sonho e abrir ao público sua primeira exposição individual: o “Brechó Escalafobético”.
As principais obras de Célia são peças de roupas excêntricas, esquisitas e extravagantes, objetos recriados e intervenções visuais.
Em seu acervo há vestidos, saias, chapéus, sapatos, além de escritas, pinturas e experimentações com diferentes materialidades, em telas ou nas paredes.
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Com cores vibrantes, brilho, lantejoulas, paetês, aviamentos e muita cola branca, cerca de 20 peças de vestuário estarão penduradas pelo espaço expositivo de forma a permitir a circulação do público pelo universo de Célia, além de outros trabalhos visuais da artista.
Algumas peças do vestuário também estarão disponíveis para toque, destinadas a pessoas cegas ou com baixa visão, e boa parte delas terá QR codes com audiodescrição.
História da artista
Desde sua juventude, Célia Regina esteve ligada ao universo artístico, tendo trabalhado em publicidade, televisão e com artesanato. Contudo, foi somente após a aposentadoria que a artista conseguiu tempo para se dedicar à arte como modo de vida.
Depois dos 70 anos, ela começou a fazer experimentações no mobiliário de sua casa. As primeiras obras já chamavam a atenção por uma concepção original e uma estética autoral, na qual havia um apreço pelo exagero e pela mistura pouco óbvia de materialidades diversas.
Com uma aposentadoria de um salário mínimo, que não cobria suas necessidades mais básicas, Célia começou a planejar um brechó na garagem de sua casa. A artista já havia confeccionado, na juventude, blusas, cintos e bolsas artesanais em couro.
Ela também tinha uma cultura de brechó, tendo vestido a si, às suas filhas e netas com roupas de brechó por toda a vida. Então ela começou, também depois dos 75 anos, a fazer garimpos de peças usadas em bazares de igrejas e outros brechós para revender.
A questão é que Célia achava tudo muito básico, “faltava brilho e cor” (palavras dela) e esse foi o impulso criativo para começar a fazer experimentações têxteis.
Se utilizando (sem saber) do método upcycling, a artista começou a fazer aplicações nas roupas para deixá-las mais bonitas.
Nesse processo, ela foi trabalhando sua expressividade estética e transformando peças comuns em obras de arte que, mais tarde, ela mesma começou a compreender que ultrapassam a categoria de vestuário.
A ideia de realizar a exposição via Fomento Aniceto Matti partiu da neta de Célia, a também artista Michelle Joaquim, responsável pela elaboração e coordenação do projeto, que foi aprovado em primeiro lugar na categoria Artes Visuais R$ 37 mil.
“Minha vó me mostrava as peças de roupa que ela havia recriado e me pedia ajuda para vendê-las, só que eram roupas muito extravagantes e carregadas de materiais, então a gente foi percebendo que eram obras de arte e começamos a imaginar essa exposição juntas”, conta.
Programação da exposição
O acervo de roupas ficará disponível para visitação entre 22 de janeiro e 26 de fevereiro, na Sala Lukas do Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC). O horário de visitação é de segunda a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados das 9h às 13h.
A cerimônia de abertura oficial da exposição será no sábado (24), às 16h, com um desfile de peças criadas pela artista.
O público da exposição terá acesso a um minidocumentário de Fernanda Carla de Matias, que aborda a vida e a obra de Célia Regina. O projeto também prevê oficinas de arte têxtil voltadas para o público idoso.