Paranaguá é a pior cidade do Brasil para ser mulher, aponta estudo inédito
Relatório da Tewá 225 analisou 319 municípios acima de 100 mil habitantes. Maringá está entre cidades com melhores pontuações, de acordo com critérios do levantamento.

Um estudo inédito, realizado pela consultoria socioambiental Tewá 225, aponta Paranaguá, no litoral paranaense, como a pior cidade do Brasil para ser mulher. O município possui altas taxas de feminicídio, baixa representação política feminina e economia dominada pelas atividades portuárias e agroindustriais, um mercado de trabalho predominantemente masculino no qual apenas 35,5% dos cargos formais são ocupados por mulheres, que também recebem salários mais baixos.
O relatório ‘Piores Cidades Para Ser Mulher’ analisou 319 municípios com mais de 100 mil habitantes, que concentram cerca de 60% da população brasileira. O levantamento foi realizado por meio de dados do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR) e com foco nos indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da ONU:
- taxa de feminicídio a cada 100 mil mulheres;
- desigualdade salarial por sexo,
- percentual de mulheres na câmara de vereadores;
- taxa de mulheres jovens de 15 a 24 anos que não estudam e nem trabalham;
- diferença percentual entre homens e mulheres que não estudam e nem trabalham.
Cada um desses indicadores foi pontuado de 0 a 100, considerando recortes como raça, regionalidade, biomas e economia que impactam as oportunidades disponíveis para as mulheres.
Cerca de 85% das cidades analisadas têm níveis considerados muito baixos nos indicadores. Em níveis de feminicídio, 99% têm taxas muito altas, acima de 3 a cada 100 mil mulheres, além de apenas 32% apresentarem bons desempenhos em desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Na região amazônica do país, 97% das cidades estão classificadas como “muito baixo” em igualdade de gênero. Nesse mesmo indicador, locais com economia dependente do agronegócio, especialmente no Norte brasileiro, apresentam os piores índices, já que, historicamente, oportunidades de trabalho para mulheres no setor são mais escassas.
As 10 piores cidades para ser mulher no Brasil e suas pontuações
1º Paranaguá (PR) - 12,70
2º São Pedro da Aldeia (RJ) - 14,98
3º Camaçari (BA) - 16,79
4º Macaé (RJ) - 18,78
5º Parauapebas (PA) - 19,23
6º Cabo de Santo Agostinho (PE) - 19,74
7º Pindamonhangaba (SP) - 20,19
8º Açailândia (MA) - 21,12
9º Santana (AP) - 23,05
10º Ponta Grossa (PR) - 23,25
"Expor as piores cidades para as mulheres é trazer à tona questões frequentemente negligenciadas, que demandam uma atenção urgente”, explica Luciana Sonck, mestre em planejamento territorial, especialista em governança, CEO da Tewá 225 e coordenadora executiva do estudo. “Nossa expectativa é que este ranking seja um ponto de partida para ações concretas, impulsionando as gestões a promoverem mudanças reais e a construírem um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres brasileiras", conclui.
As 10 melhores cidades para ser mulher no Brasil e suas pontuações
1º Araras (SP) - 53,52
2º São Caetano do Sul (SP) - 50,69
3º Brasília (DF) - 50,00
4º Nova Serrana (MG) - 49,66
5º Balneário Camboriú (SC) - 48,49
6º Nova Friburgo (RJ) - 46,37
7º Londrina (PR) - 44,78
8º Birigui (SP) - 44,40
9º Sobral (CE) - 44,32
10º Brusque (SC) - 43,79
Em contrapartida, os municípios que estão no top 10 de melhores cidades, de acordo com o estudo, investem em infraestrutura de segurança, educação e políticas públicas que promovem a participação feminina na política e no mercado de trabalho. Maringá ocupa o 11º lugar no ranking, com uma pontuação de 43,29.
Além de Maringá, Londrina, Paranaguá e Ponta Grossa, outras cidades do Paraná, como Guarapuava, São José dos Pinhais, Campo Largo, Araucária, Foz do Iguaçu, Toledo, Cambé, Cascavel, Fazenda Rio Grande, Almirante Tamandaré, Arapongas, Colombo, Umuarama, Pinhais, Sarandi, Curitiba, Apucarana e Piraquara também aparecem na pesquisa.