Em edição online, 10º edição do ECOH faz uma viagem pela África

Desde 2018, François realiza anualmente em Burkina Faso o Festival Internacional dos Patrimônios Imateriais que, a cada edição, propõe um mergulho em uma das 65 etnias do país

Em edição online, 10º edição do ECOH faz uma viagem pela África
François Moïse Bamba faz três participações sempre acompanhado pela brasileira Laura Tamiana. - Foto: Divulgação

Ao celebrar sua décima edição, pela primeira vez online, o 10º ECOH traz ao público vivências de culturas da África Ocidental. Como guias dessa viagem estão o ator e contador de histórias Fançois Moïse Bamba, do Burkina Faso, e o contador de histórias, pesquisador da oralidade e ator brasileiro, Toni Edson. Eles contarão um pouco de suas gentes, de suas culturas e de tanta riqueza desse patrimônio imaterial.

Realizado entre os dias 31 de outubro e 30 novembro, o 10º ECOH, o Encontro de Contadores de Histórias de Londrina, também contará com artistas renomados de todo o país. Será um mergulho pelo universo das histórias com vários formatos de atividades para vários públicos. Haverá apresentações ao vivo, bate-papos, histórias em vídeos, áudios, podcasts e atividades formativas.

A programação completa estará disponível no site ecoh.art.br e também nas redes sociais do ECOH a partir desta segunda-feira dia 26/10.

Totalmente realizado em formato online, o 10º ECOH conta com o patrocínio do PROMIC, o programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina.

O ferreiro contador de histórias – Conhecido como o "ferreiro contador de histórias.", François Moïse Bamba nasceu na casta de ferreiros, os mestres do ferro e do fogo, em Burkina Faso. Seu pai o iniciou na arte do conto, sendo criado em estreita relação com a tradição da cultura e da arte djeli ou griot. Sua formação artística foi consolidada por Hassane Kouyaté, Habib Dembélé, Jihad Darwiche. Coletou e reescreveu contos do Burkina Faso, alguns deles dando origem a CD, DVD e livros publicados na França.

Em sua caminhada artística participou de festivais em diversos países. Como França, Niger, Egito, Djibouti, Congo, Québec, na Martinica e outros lugares. Foi, por diversos anos, diretor artístico do festival Yeleen, no Burkina Faso, diretor artístico e cultural da Maison de la Parole (Casa da Palavra) e coordenador geral da rede internacional de contadores de histórias da África do Oeste, Afrifogo. 

Desde 2018, realiza em seu país o Festival Internacional dos Patrimônios Imateriais que, a cada edição, propõe um mergulho em uma das 65 etnias do Burkina Faso.

O ferreiro contador já esteve quatro vezes no Brasil desde 2017 em vários estados como Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Ceará.  Nessas viagens está sempre acompanhado por Laura Tamiana que também atua em cena e faz as traduções para português.

Apresentações de François Moïse Bamba e Laura Tamiana no 10º ECOH

François e Tamiana realizam diversas apresentações no 10º ECOH. Em "Palavras de griots", François conta histórias sobre a origem e a força da oralidade na sociedade tradicional africana, onde a palavra é mantida pelos griots. Eles são os porta-vozes da vida social, conselheiros, historiadores, transmissores das memórias. 

A conferência "As sociedades de tradições orais da África do Oeste, educações e transmissões" será permeada por contos, musicais e trocas entre os participantes. É a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem pelo rico patrimônio das sociedades de tradição oral da África do Oeste, na qual ele apresentará alguns de seus fundamentos essenciais.

Já em "Contos e lendas do Burkina Faso" convidam para uma viagem ao "país dos homens íntegros", esse também é o significado do nome do país "Burkina Faso". Por meio das histórias, será realizado um encontro com as culturas, histórias, crenças, valores e visões de mundo desses povos. 

Toni Edson: O artista do Teatro de Rua

Toni é um sergipano que cresceu apreciando as manifestações da cultura popular. Começou a "bulir" com teatro aos 11 anos, depois foi contando contos populares indígenas e, desde 2003, pesquisa contos africanos. Ator, dramaturgo, diretor, compositor e contador de histórias, é membro fundador da Trupe Popular Parrua e do Grupo IWÁ. Fez parte dos grupos Africatarina, Cachola no Caixote. Além de atuar em diversos espetáculos, ministrou disciplinas, cursos e oficinas voltadas ao teatro de rua e à contação de histórias.

Por meio de suas pesquisas sobre o trabalho de François Moise Bamba, tornou-se amigo pessoal do artista. Os dois se encontraram há 5 anos em Burkina Faso, quando Toni visitou a comunidade de François em Ouolonkoto. Desde então, acompanha o artista sempre que vem ao Brasil. 

No 10º ECOH, Toni Edson realiza a oficina "Tradição oral sob o viés da cultura mandinga, África Ocidental" para os professores e professoras do Proeto Palavras Andantes, da Secretaria de Educação do município, mas outras  pessoas interessadas também podem participar. Também apresentará ao vivo "Bichos, Canto e Encantos" que reúne tradições dos povos indígenas e africanos. Toni também vai participar de uma roda de conversa com o tema "A narração de histórias na Academia".

Na oficina, fala sobre seu percurso. O contato com a cultura mandinga, o intercâmbio em Burkina Faso, a oralidade e a disciplina Narrativas na Rua que ministra em Maceió. Também há espaço para lembrar de mestres como Amadou Hampatê Bâ, Sotigui Kouyaté, Hassane Kouyaté,Toumani Kouyaté e François Moïse Bamba.

A apresentação online "Bichos, Canto e Encantos" navega pelas histórias dos povos africanos e indígenas, traz canções que despertam e permite que as crianças de todas as idades imaginem os bichos que guardam em si.

Um encontro para todas as idades

Além de romper com as fronteiras geográficas, a realização de um encontro online também contribuiu para que o 10º ECOH se aproximasse de pesquisadores, artistas e entusiastas da arte de contar histórias de todo o país. Dessa forma, o 10º ECOH contará com atividades voltadas para crianças e jovens, como sempre faz, mas também terá várias histórias e atividades para adultos. Outra novidade é a produção de um material didático que será enviado às escolas com o intuito de contribuir para o trabalho com as histórias em sala de aula.

Escolas e educadores que quiserem receber gratuitamente esse material pedagógico para trabalhar em sala de aula junto com os vídeos, podem enviar a solicitação com o nome completo do educador, a escola e turma que deseja trabalhar para ecohpedagogico@gmail.com.

A coordenadora geral do evento, Claudia Silva, explica que a adaptação ao formato online foi um grande desafio, mas o resultado é uma programação muito potente. "Não teremos o olho no olho, que é muito importante para os contadores de histórias. Por outro lado, os narradores têm tido um papel importante na vida das pessoas durante a pandemia. E isso se reflete na programação. E claro, sem as barreiras da distância e os custos de passagens, as possibilidades de trocas se ampliam. Estamos bem felizes por trazer um pouquinho da cultura africana para o Ecoh".

Assessoria de imprensa