ARTE

Mostra reúne 40 anos de produção da arte paranaense contemporânea

Mostra reúne 40 anos de produção da arte paranaense contemporânea
O Estado da Arte – 40 anos de arte contemporânea no Paraná
O Museu Oscar Niemeyer abre neste sábado (11) a mostra “O Estado da Arte – 40 anos de arte contemporânea no Paraná (1970-2010). A exposição é o ponto culminante do projeto Artistas Paranaenses, desenvolvido pelo MON, desde 2003, com o objetivo de exibir e divulgar a arte produzida no Estado. Inédita, a mostra reúne 150 obras de 80 artistas, apresentadas em dois núcleos.

Na sala “Poéticas Transitivas”, estão trabalhos produzidos entre 1970 e 1990, que refletem sobre as eventuais raízes históricas da visualidade contemporânea paranaense. A sala “Expresso 2000” concentra a produção atual.

Para alcançar a amplitude pretendida pelos curadores, alguns trabalhos históricos foram reeditados, casos de obras de Luiz Carlos Rettamozo e do grupo Sensibilizar. Outra parte das obras deste núcleo foi emprestada de acervos públicos como do próprio MON, do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC), do Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Muma) e do Museu da Gravura de Curitiba.

Na sala “Expresso 2000”, todas as obras são oriundas de coleções particulares. A exposição tem patrocínio de Copel, Sanepar, Compagas e da Agência de Fomento do Paraná, e apoio do Ministério da Cultura, Governo do Paraná e Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

“A diversidade poética e a falta de parâmetros estéticos rígidos são algumas das principais características da arte contemporânea”, define a crítica e historiadora da arte Maria José Justino, que assina a curadoria da mostra com o também crítico e historiador de arte Artur Freitas.

E, para exemplificar tal multiplicidade contemporânea, os curadores selecionaram obras produzidas nos mais diversos meios e suportes, da pintura às ações urbanas, passando por vídeo, fotografia, instalação, intervenção no espaço, grafite, objeto, gravura e escultura.

Maria José explica que, embora na mostra predominem artistas de Curitiba, foram incluídos trabalhos de autores que trabalharam ou ainda trabalham em outras cidades do Paraná, casos de Maria Cheung, Letícia Marquez, Luiz Henrique Schwanke e Francisco Faria.

“Esse mapeamento, claro, não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas de sugerir caminhos para a interpretação da produção artística recente no Estado, confrontando-a com algumas das principais questões poéticas da contemporaneidade. Trata-se, em síntese, de uma leitura possível sobre o assunto, mas em hipótese alguma de uma leitura definitiva, até porque, em função do formato da exposição, muitos artistas importantes ficaram de fora”, diz a curadora.

Do núcleo “Expresso 2000”, constam trabalhos realizados especialmente para a mostra por artistas como Cleverson Oliveira, Cleverson Salvaro, o coletivo Interlux Arte Livre, Joana Corona, Rimon Guimarães e Rodrigo Dulcio. Eles prepararam intervenções diretamente no espaço expositivo.

“Como ponto de partida geral dessa empreitada, fixamos o ano de 1970. Trata-se de uma data caprichosa, mas que no contexto desta mostra anuncia o início de uma década aberta a experimentações poéticas sem precedentes, ao menos no contexto paranaense”, afirma Artur Freitas. Ele lembra do momento inicial dos “irreverentes” Encontros de Arte Moderna que, no começo dos anos 1970, auge da repressão na ditadura militar, abriram caminho para as primeiras ações performáticas e intervenções urbanas no Estado.

Esse também é o momento em que surgem os Objetos Caipiras, de João Osório Brzezinski, as primeiras instalações de Olney Negrão e as diversas situações experimentais propostas por artistas como Lauro Andrade, Rettamozo e Sérgio Moura.

“Na década seguinte, com o processo lento e paulatino da redemocratização, a arte no Paraná apresenta ao menos duas linhas de força. De um lado, na contrapartida do conceitualismo dos anos 1970, a reafirmação dos chamados ‘suportes tradicionais’, como a pintura neoexpressionista da geração 80 ou a gravura informalista produzida no Solar do Barão, em Curitiba. De outro, a ascensão dos primeiros grupos de artistas, que ainda não se autodenominavam coletivos, como Bicicleta, Motocontínuo e Sensibilizar”, explica Freitas.

Na sequência, durante os anos 1990 e 2000, a pluralidade de formas, temas e meios da arte contemporânea, acusa a diversidade da nossa própria sociedade. Os curadores argumentam que a aceleração dos pressupostos modernos nesta sociedade implica na “generalização do individualismo hedonista, no avanço da razão instrumental, no relativismo dos valores absolutos e na conseqüente desconfiança diante de toda narrativa universal, incluída a história da arte e, particularmente, a história das vanguardas”.

“Imersos nessa chave hipermoderna, assistimos a atualização de expedientes que já freqüentaram o coração de nossa modernidade estética. Do eterno retorno da pintura às intervenções no espaço expositivo, da arte urbana aos dispositivos de registro mais usuais como a fotografia e o vídeo, do corpo como obra às suas atuais derivações relacionais, temos na produção artística recente no Paraná um laboratório vivo — e ainda pouco divulgado — de algumas das principais questões estéticas de nosso tempo”, afirmam.

Serviço

O Estado da Arte – 40 anos de arte contemporânea no Paraná (1970-2010)

Patrocínio: Copel, Sanepar, Compagas, Caixa e Agência de Fomento do Paraná

Apoio: Ministério da Cultura, Governo do Paraná e Fundação Cultural de Curitiba

De 11 de setembro de 2010 a 24 de abril 2011

Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999

De terça a domingo, das 10 às 18 horas

Venda de ingressos até 17h30

R$ 4, inteira, e R$ 2, para estudantes com carteirinha

Entrada gratuita para grupos agendados de estudantes da rede pública dos ensinos médio e fundamental, estudantes de até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês
AEN