A deputada estadual Cida Borghetti está sugerindo ao governador Roberto Requião que seja implantada uma penitenciária industrial em Maringá, no espaço onde está construindo um presídio em regime semiaberto.A retomada das obras para construção de uma unidade prisional em regime semiaberto em Maringá, com capacidade para 480 presos, é motivo de preocupação de moradores do município e está sendo questionada pela deputada.A preocupação se deve ao fato de que a nova unidade vai receber detentos de vários municípios do Paraná e, segundo a deputada, Maringá pode se tornar porta de saída do sistema prisional paranaense para bandidos perigosos, tendo em vista as falhas existentes no sistema de ressocialização e acompanhamento de presos que cumprem liberdade condicional no Brasil.O regime semi-aberto permite ao detendo passar o dia em liberdade e a noite encarcerado.Mas assim que recebem esse direito, muitos presos não retornam para as celas e voltam a cometer crimes.Colônia Penal Em 2007, dos 11.209 presos do Paraná 1.187 ganharam as ruas antes de terminar de cumprir a pena.Desses, 1.095, ou seja, 92% dos foragidos e evadidos do sistema prisional paranaense eram da Colônia Penal Agrícola (CPA), que funciona em regime semiaberto em Piraquara.Segundo fontes oficiais do Governo do Paraná, na CPA o preso só é considerado foragido e a polícia acionada 24 horas depois do horário de retorno estipulado pelo juiz, ao passo que em unidades de regime fechado, assim que é constatada a fuga a polícia é acionada.“Casos recentes de homicídios, latrocínios e estupros envolvendo presos em liberdade condicional, regime semiaberto ou evadidos do sistema ilustram a ineficiência do Estado em ressocializar o preso e recapturar seus foragidos.Deslocar criminosos de vários municípios do Paraná para cumprirem pena em regime semiaberto em Maringá causaria inúmeros transtornos ao município” afirma Cida Borghetti.
A deputada apresentou uma Indicação Legislativa na Assembleia sugerindo ao secretario da justiça Jair Ramos Braga que mude a finalidade do prédio que está sendo construído entre a Penitenciária Estadual de Maringá e o Centro de Detenção Provisória de Maringá.Ao invés de regime semiaberto, Cida Borghetti defende que a estrutura em construção abrigue uma unidade industrial para dar oportunidade de trabalho aos presos. “Nesse caso, durante o dia, os presos seriam transferidos para a unidade e teriam a oportunidade de aprender um ofício, permitindo a verdadeira inclusão social após a liberdade”, explica a deputada.As obras da unidade de regime semiaberto em Maringá estavam paralisadas há nove anos e só recentemente obteve liberação judicial para serem reiniciadas. O Estado pede indenização da empresa responsável, que teria abandonado a construção. Segundo a Secretaria Estadual de Obras Públicas foram realizadas apenas 30% das obras e, devido ao abandono, parte da construção terá que ser demolida.MonitoramentoEstá em discussão no Congresso Nacional o uso de pulseiras e tornozeleiras para o monitoramento eletrônico de presos em regime semiaberto ou em liberdade condicional. O sistema já é utilizado em países como França, Portugal, Espanha e Inglaterra.A tornozeleira recebe a programação de acordo com a pena determinada pela justiça. São definidos parâmetros como a distância que o preso pode se locomover a partir de um ponto definido, como sua casa, e também são pré-determinados horários para isso. Caso a pessoa saia do perímetro estabelecido, o processo de alerta é iniciado permitindo que a polícia encontre o apenado via GPS.