MEIO AMBIENTE

Aquecedor ecológico reutiliza 1, 8 mil garrafas PET

O maior aquecedor solar ecológico do país passou a funcionar no Paraná ontem. O equipamento está no alojamento da 15ª Companhia de Engenharia de Combate do Exército Brasileiro, em Palmas, e foi confeccionado com 1,8 mil garrafas PET e 1,5 mil embalagens de leite longa vida. Com a instalação, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos acredita que haverá uma economia de R$ 200 na conta de luz do batalhão, que tem 50 soldados. “É uma energia disponível através do sol, não se tem gasto de CO2, é totalmente limpa e não tem impacto na natureza”, afirma o secretário do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues. A secretaria calcula que existam no estado mais de 6 mil aquecedores como este. A idéia é incentivada pelo governo estadual, que faz palestras e auxilia a instalação em escolas e cooperativas.

Segundo o secretário, o investimento inicial pode ser recuperado em dois ou três meses e o valor médio gasto com a instalação do produto é R$ 84. Ele diz que o inventor do aquecedor, o catarinense José Alcino Alano, não permite o uso comercial do produto, mas um manual de instalação pode ser baixado no site da secretaria. “Há um grande uso em propriedades rurais, é uma economia para o meio ambiente e um benefício para o proprietário”, afirma.

José Dionir Paz, auditor da secretaria e técnico responsável pelas instalações, estima que a economia pode chegar a 40% em residências com quatro pessoas. “A água quente também pode ser utilizada para fazer o café, por exemplo, e há uma redução no uso do gás”, garante. Paz explica que a confecção e instalação do aquecedor são simples. “Qualquer pessoa pode fazer: já fiz oficinas em comunidades quilombola, com escoteiros, no Exército”, conta. “Só é um pouco trabalhoso por ter que cortar o cano de PVC, as caixinhas etc. Mas é simples.” De acordo com Paz, a água circula através de um cano dentro das garrafas PET, que funcionam como estufa, aquecendo a água.

O engenheiro florestal e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Arnaldo Carlos Mueller alerta que este tipo de aquecedor não é profissional e pode oferecer riscos. “A garrafa PET não foi feita para este uso”, alerta. “Pode soltar toxinas, além de causar explosões, se não forem tomadas as devidas medidas de segurança. Estamos falando de água quente sob pressão.” Ele diz que o correto seria utilizar dispositivos adequados e seguros, como canos de cobre e serpentinas. “O improviso é perigoso, temos que ser prudentes” argumenta. “E se a garrafa PET e o cano de PVC romperem? Não se deve arriscar vidas.”

Gazeta do Povo