Maringá foi atingida por um “downburst”, apontam meteorologistas
Diferente do tornado, o fenômeno explode ventos lineares que podem superar 150 km/h para todas as direções.
Apesar da localização do Paraná, no segundo maior corredor de tornados do mundo, a devastação em Maringá pode ter sido causada por outro fenômeno: a explosão atmosférica “downburst”.
Os impactos e os estragos causados por ambos os fenômenos podem ser equivalentes, incluindo árvores arrancadas pela raiz, destelhamentos, queda de postes, danos em veículos e destruição de estruturas.
No entanto, o downburst é diferente de um tornado. Em vez da circulação do vento em rotação, o fenômeno provoca uma espécie de “explosão” de vento que atinge o solo e se espalha em todas as direções.
A área atingida pode chegar a quatro quilômetros de extensão, no caso de uma microexplosão, ou ultrapassar essa dimensão, no caso de uma macroexplosão. As rajadas de vento podem superar 150 km/h.
De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, a micro ou macroexplosão atmosférica acontece quando uma massa de ar desce bruscamente de dentro de uma nuvem de tempestade e, ao atingir o solo, se espalha horizontalmente.
A hipótese também foi apresentada nas redes sociais pelo meteorologista Piter Scheuer, que analisou imagens de radar, dados meteorológicos e os estragos provocados pela tempestade.
Apesar dos indícios considerados “altamente sugestivos”, como destacam os meteorologistas Estael e Piter, a classificação do fenômeno ainda não é definitiva ou oficial.
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou, até a finalização desta matéria, “indícios de uma supercélula associada a uma linha de instabilidade severa”. Essas formações são tempestades intensas capazes de provocar ventos destrutivos tanto em linha reta, como um downburst, quanto em rotação, no caso do tornado.
De acordo com o Simepar, a confirmação da ocorrência de um desses fenômenos na região exige a análise conjunta de imagens, registros aéreos e danos encontrados no local.
Na madrugada de 2 de novembro, conforme dados de monitoramento do Simepar, Maringá registrou cerca de 49,8 milímetros de chuva e ventos de aproximadamente 96,8 km/h. O temporal resultou em mais de 70 mil imóveis sem energia, 363 quedas de árvores e estado de calamidade pública.