ECONOMIA

Mercado Livre começa a vender remédios e redes de farmácias "perdem" R$ 1,6 bi

Anvisa contesta as operações da empresa por falta de regulamentação. Entenda.

Mercado Livre começa a vender remédios e redes de farmácias "perdem" R$ 1,6 bi
Anvisa pediu informações ao Mercado Livre sobre a operação, exigindo documentos relacionados à autorização sanitária, alvará e responsável técnico pela farmácia da empresa. - Foto: Divulgação/Mercado Livre
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Com o início das operações de venda de medicamentos pela plataforma do Mercado Livre, redes de farmácias consolidadas perderam, em valor de mercado, cerca de R$ 1,6 bilhão. A operação de grande impacto comercial, no entanto, é contestada pela Anvisa.

Para comprar na farmácia do Mercado Livre, o cliente precisa enviar a receita pela plataforma, em casos de remédios sob prescrição médica como antibióticos e Ozempic, que passa por análise de um farmacêutico antes da liberação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o Mercado Livre pelo serviço e pediu informações sobre a operação, exigindo documentos relacionados à autorização sanitária, alvará e responsável técnico pela farmácia da empresa.

Em agosto deste ano, a agência liberou que plataformas digitais participassem da comercialização e entrega de medicamentos, desde que as farmácias e drogarias continuassem responsáveis pela armazenagem e distribuição dos produtos. Além disso, medicamentos sujeitos a controle especial permanecem com restrições específicas.

Ao g1, o Mercado Livre informou “que cumpre as normas aplicáveis, colocando em primeiro lugar a segurança de seus usuários” e destacou que entende “a seriedade de entrar no setor farmacêutico”. Além disso, o Mercado Livre afirmou que mantém diálogo com a Anvisa e demais entidades para contribuir com a constante adaptação da regulamentação".

Impacto no mercado

Após o anúncio das operações farmacêuticas do Mercado Livre, as ações da RD Saúde, Pague Menos e Panvel caíram 5,38%, 8% e 4,9%, respectivamente. Juntas, as empresas perderam cerca de R$ 1,6 bilhão em valor de mercado.

Na avaliação dos investidores, a nova concorrência vai pressionar as empresas tradicionais, principalmente pela capacidade da plataforma de alcançar milhões de consumidores, oferecer preços competitivos e investir em logística e entregas rápidas — como a já adotada em São Paulo, com entregas em até uma hora.

Em comunicado, o Mercado Livre destacou que a estratégia comercial dos medicamentos não deve ficar restrita à venda direta de medicamentos. Em breve a empresa pretende transformar a plataforma também em um marketplace de farmácias, permitindo que redes parceiras vendam seus produtos por meio do site e do aplicativo.

Nesse modelo, as farmácias ficam responsáveis pela venda e dispensação dos medicamentos, enquanto o Mercado Livre oferece estrutura digital, tráfego de clientes e logística. A previsão é chegar a até 20 farmácias parceiras até o fim de 2026.

Maringa.Com
Por Gabrielle Nascimento