Entenda a relação entre Apucarana, o modão “Boate Azul” e o Papa João XXIII
Regravada mais de mil vezes e em oitenta idiomas, a canção faz sucesso até hoje entre os brasileiros. Conheça a história de origem.
O ano era 1963 e Benedito Seviero se preparava para se apresentar em uma casa noturna de Apucarana. Prestes a iniciar a festa, uma notícia acabou com os planos dos integrantes da vida noturna: a morte do Papa João XXIII.
Em sinal de respeito, o show foi cancelado. A frustração pelo fim da festa antes mesmo de seu começo gerou uma comoção que, muitos anos depois, resultaria em um dos principais hinos sertanejos do Brasil.
“A turma que estava esperando o show estava tudo de fogo lá e, do nada, tinha que ir embora. ‘Sair de que jeito?’ Foi aí que eu fiz a música Boate Azul", contou Seviero em entrevista ao Caminhos da Roça, em 2012.
De acordo com o compositor, a música foi escrita para ser cantada pela dupla Zilo e Zalo, mas só foi gravada anos depois, na década de 1980, pelo trio Amantes do Luar, após o fim do regime militar.
A letra melancólica, ambientada em uma casa noturna, incomodou a censura da época.
“Não deixaram gravar. Ela foi proibida e só fui gravar em 1980. Dezessete anos depois. Aí gravei primeiro com um trio de São José do Rio Preto, chamados Amante do Luar. Depois gravei com o Manoelito Nunes e Nazaré, uma dupla de Piracicaba", relembrou.
Cinco anos depois, Joaquim & Manuel também gravaram a música, que enfim se popularizou nacionalmente, rendendo um disco de ouro para a dupla.
O modão, conhecido por todas as gerações e presente em festas, churrascos e karaokês até os dias de hoje, já foi gravado mais de mil vezes e em oitenta idiomas.
As versões mais conhecidas estão nas vozes de Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano e Reginaldo Rossi.