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Como Maringá é vista pelos olhos de quem vem de fora?

Segurança e qualidade de vida atraem, mas há críticas. Confira o que os moradores vindos de outras cidades têm a dizer.

Como Maringá é vista pelos olhos de quem vem de fora?
Cidade Árvore do Mundo, bons índices de geração de empregos, segurança, além de ser a sede da Universidade Estadual de Maringá são alguns dos atrativos principais para viver em Maringá. - Foto: Thiago Louzada/Instagram @portalmaringacom
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Em constante destaque como uma das melhores cidades brasileiras para morar, Maringá atrai públicos de todas as regiões do país que buscam uma rotina com mais qualidade de vida e oportunidades.

Reconhecimentos como “Cidade Árvore do Mundo”, bons índices de geração de empregos, poucos casos de mortes violentas, saneamento básico abrangente, além de ser a sede da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e ter o dia a dia marcado por paisagens com toques coloridos na época de florada dos Ipês seriam motivos suficientes para um maringaense apaixonado vender a Cidade Canção a quem vem de fora.

Além disso, números como o 14º lugar no Índice de Progresso Social (IPS) reforçam o título de “uma das melhores cidades para viver” e, consequentemente, atraem novos moradores vindos de diferentes regiões do país.

Para entender a visão de quem vem de fora e escolhe Maringá como lar, o Maringa.Com entrevistou três migrantes: Gabriella, de 23 anos, nascida no interior de Rondônia; Diogo, de 28 anos, original da capital de São Paulo; e Raphael, de 34 anos, que veio de Curitiba.

Educação e trabalho, os ímãs da cidade

Para Gabriella e Raphael, o polo educacional de Maringá foi o ímã que os atraiu para a cidade. Ela para cursar Psicologia e ele para acompanhar a namorada, que estuda Medicina.

“Maringá tem melhor oportunidade de estudo, professores mais capacitados, oportunidades de pós-graduação, mestrado e doutorado. Além disso, as faculdades têm uma grade mais completa e ampla variedade de cursos complementares e projetos de extensão”, explicou Gabriella.

Para viver com a namorada, Raphael destaca que buscou qualquer trabalho que pudesse ajudar a se sustentar na cidade e, “graças à sorte e dedicação”, conseguiu seu espaço.

“Consegui um cargo na Unicesumar, que é uma grande empresa que movimenta bastante a cidade. Você acaba conhecendo muita gente que já passou por lá, alguns gostam dela, outros não, mas é inegável que ela abre muitas portas para as pessoas da cidade”, afirma.

E os números comprovam a porta aberta da cidade para o trabalho: apenas nos primeiros cinco meses de 2026, conforme dados do Caged, Maringá criou mais de 2,9 mil empregos formais. O setor de maior destaque foi Serviços, responsável por 1.278 deste total de vagas.

No entanto, o chamariz para oportunidades de emprego também aumenta a competitividade e não garante uma boa remuneração, aponta a rondoniense Gabriella.

“Encontrei várias oportunidades na minha área [psicologia]. Porém, a concorrência é grande e sinto que a remuneração não é eficiente, principalmente para estagiários. Chega a ser absurdo propor menos de um salário mínimo em uma cidade como essa. Mas ainda acredito que para empreender depois de formada é bom, além das oportunidades de concurso.”

“Cidade Verde” por apelido e “Cidade Árvore do Mundo” por título da ONU

Em tempos de aquecimento global e busca pela valorização do meio ambiente, o visual arbóreo de Maringá é um atrativo à parte.

O município, apelidado de “Cidade Verde”, ganhou reconhecimento oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) como “Cidade Árvore do Mundo” pelas mais de 150 mil árvores espalhadas na região e seus 14 parques.

Para além de apenas um título, Diogo, que trocou “o caos de São Paulo pela paz do interior”, assegura que sente o efeito das árvores de Maringá na qualidade de seus hábitos.

“Antes meu cardio era na academia, em um ambiente abafado e deprimente. Agora, faço minha corrida matinal todo dia envolto de verde no Bosque 2 ou no Parque do Ingá”, destaca.

Ele ainda acrescenta que a estrutura urbana facilita a rotina e os trajetos. “Maringá é realmente uma cidade planejada. Para quem veio das áreas mais afastadas de São Paulo, até uma calçada padronizada e menos íngreme faz diferença no dia a dia. Faço mais coisas a pé aqui do que seria possível imaginar fazer na minha antiga cidade.”

Para Gabriella, os benefícios daqui, em comparação a Rondônia, são questões de vida ou morte, literalmente. O estado natal da jovem ficou entre os cinco mais mortais em épocas de calor extremo: foram registradas 855 mortes por estresse térmico nos últimos 20 anos.

“Aqui faz muito calor? Sim. Mas em Rondônia, por ser uma área de intenso desmatamento e muito sol, as pessoas mais velhas morrem pelas altas temperaturas.”

A liberdade de ir e vir em segurança

A sensação de segurança é o ponto mais importante da cidade para os novos moradores. Com uma taxa de 9,1 mortes violentas por 100 mil habitantes, índice significativamente inferior à média nacional de 19,1, os entrevistados destacam como Maringá oferece uma tranquilidade pouco comum nos centros urbanos.

“A segurança daqui é incomparável. Posso andar com o meu cachorro na rua de noite com o celular na mão e sei que dificilmente algo acontecerá comigo”, destaca Raphael, em comparação à Curitiba.

“Transitar pelas ruas da cidade de madrugada, ou pelo menos andar com a janela do meu carro aberta sem preocupação com roubos, foi um privilégio que eu me acostumei muito rápido”, relata Diogo, que coleciona experiências traumáticas de São Paulo como furtos do celular enquanto dirigia e assalto a mão armada.

Nem tudo são flores de Ipê rosa…

O alto custo de vida é uma reclamação unânime entre os novos moradores entrevistados.

O trânsito é caótico até para aqueles acostumados a dirigir em grandes metrópoles, como o caso de Diogo.

“Confesso que aqui em Maringá as pessoas dirigem tão mal que me irrita. E eu vim de São Paulo”, afirma o paulista.

O transporte público é precário, ainda mais para Raphael, que vem de Curitiba, cidade modelo no quesito transporte coletivo.

“Não uso tanto o transporte público aqui, mas pelo que eu vejo e já me falaram, é uma melhoria que poderia ocorrer em Maringá. Curitiba é um ótimo exemplo disso, onde existem ruas (canaletas) específicas para alguns ônibus que atravessam a cidade e facilitam a vida do cidadão, como se fosse um metrô”, compara o curitibano.

A desigualdade social é um problema que precisa ser combatido, como destacado por Gabriella:

“Vejo muitas pessoas na rua pedindo dinheiro, passando necessidade e sem nenhuma iniciativa eficaz para ajudá-las”, lamenta.

E, além disso tudo, os maringaenses são considerados, entre outras palavras, “fechados”.

“As pessoas aqui são diferentes. Eu acho elas mais fechadas do que de onde eu vim e, por isso, demorei a fazer amizades. As que fiz, na maioria, são pessoas que também vieram de fora”, pondera a rondoniense.

Ainda sobre as diferenças culturais que enfrenta, Gabriella também destaca o apreço dos maringaenses por programas longe da natureza, mesmo vivendo em uma cidade verde: “A maioria [dos maringaenses] que conheço só se interessa por shoppings e baladas”.

Maringa.Com
Por Gabrielle Nascimento