Artista maringaense trabalhou na produção de curta-metragem premiado no Festival de Cannes
Formada em artes visuais pela UEM, Naju Campos fez parte da equipe de 'Laser-Gato', vencedor da categoria La Cinef.
O curta-metragem brasileiro ‘Laser-Gato’, premiado no Festival de Cannes, contou com a participação de uma maringaense. Naju Campos trabalhou na assistência de arte da produção, que venceu a categoria La Cinef, considerada uma vitrine de novos talentos, no último dia 21 de maio.
A artista é formada em artes visuais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ela desenha desde a infância, mas, por muito tempo, acreditou que estava se encaminhando para outra área “porque tem essa coisa de que quem desenha vai fazer arquitetura”, afirmou em conversa com o Maringa.Com.
No entanto, quando estava no ensino médio, a oportunidade de participar de uma exposição começou a mudar seus planos. “[Um amigo] falou pra mim que ia ter uma exposição em Iguatemi, onde ele ia expor as fotos dele, e perguntou se eu não queria expor os meus desenhos”.
Pouco tempo depois, ela foi selecionada para mostrar seus trabalhos em outra exposição, no Mercadão Municipal, organizada pela rádio Mundo Livre. Alguns dos outros artistas da mostra eram alunos de artes visuais da UEM. Ao compartilharem as experiências do curso, Naju se convenceu a tentar uma vaga na graduação.
“Eu me apaixonei pelo curso, acho que foi a melhor escolha que eu fiz”.

Experiência no audiovisual
A primeira assistência de arte em um filme aconteceu em 2022 e, desde então, Naju também já trabalhou na direção de arte de alguns curtas.
O convite para participar da equipe de ‘Laser-Gato’ surgiu a partir de sua conexão com Lavinnia, diretora de arte do curta que Naju conheceu durante um curso em 2023, em São Paulo.
“Eu era a única designer da sala. Eu lembro que ela virou pra mim, depois dos primeiros dias, e falou: ‘você vai trabalhar comigo’”. A promessa foi cumprida primeiro à distância — a artista ainda morava em Maringá —, com trabalhos de design gráfico.
Elas se reconectaram na fila de um show gratuito de Ana Frango Elétrico em 2025, logo após Naju se mudar para a capital paulista. “A gente se encontrou e começou a conversar de novo. Eu falei pra ela que estava morando aqui e ela começou a me chamar para uns projetos”, explicou.
O trabalho ‘invisível’ por trás do curta
Projetos audiovisuais são feitos a muitas mãos e exigem preparação meticulosa para dar vida à história escrita no roteiro.
Como explicado por Naju, a sua função é dar o suporte à direção de arte e destrinchar o roteiro para trazer os objetos que aparecem nas páginas para as cenas. “A gente está criando um novo universo, que contém muitos objetos, e são muitos detalhes para prestar atenção”.
O design gráfico também é parte fundamental da produção. “O ‘Laser-Gato’ teve o design gráfico na tag de rastreamento da coleira do gato, que era um dos personagens principais, teve design gráfico de vários posters, em algumas telas de celular, no rótulo de uma garrafa de álcool”, exemplificou.
“[O assistente de arte] está sempre revisando os objetos e os props (objetos com os quais os atores interagem) para todas as cenas, revisando a continuidade junto ao continuísta para que nada saia do planejado e a gente consiga garantir a estética do filme”.
Surpresa em Cannes
‘Laser-Gato’ acompanha um adolescente atravessando São Paulo à noite depois de uma brincadeira com laser fugir do controle, com a arquitetura da cidade como parte fundamental da narrativa fragmentada e cheia de suspense.
“É muito doido pensar que agora eu tenho no meu currículo um filme que ganhou Cannes”, comemorou Naju. Ela ficou sabendo da conquista por WhatsApp, depois de um almoço com amigos.
“Até agora na verdade eu fico meio desacreditada. É um lugar muito alto para se chegar, é o lugar que todo mundo que trabalha com cinema almeja chegar, para onde o mundo inteiro está olhando”, disse, empolgada.
A artista também explicou que se sente satisfeita em fazer parte desse momento, especialmente nesta esteira de valorização estrangeira do cinema feito no Brasil, após as indicações e diversas vitórias de ‘Ainda Estou Aqui’ (2024) e ‘O Agente Secreto’ (2025) em festivais e premiações.
“[O reconhecimento] traz uma validação do nosso trabalho. Eu me sinto grata de saber que eu faço parte de algo que está sendo construído nessa valorização da cultura brasileira”.
Confira o trailer de ‘Laser-Gato’ no site do Festival de Cannes.
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