MEIO AMBIENTE

Mercúrio, chumbo e microplásticos são identificados em animais do litoral do Paraná

Estudos científicos analisaram peixes, caranguejos e aves.

Mercúrio, chumbo e microplásticos são identificados em animais do litoral do Paraná
Pesquisadores destacam que é preciso aprofundar os estudos para avaliar os impactos no consumo humano. - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dois estudos recentes realizados pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) revelaram sinais preocupantes de poluição nos ecossistemas do litoral do Paraná.

Caranguejos-uçá e peixes comercializados em feiras e mercados locais apresentaram contaminantes que podem afetar a biodiversidade e trazer riscos à saúde humana.

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A pesquisa conduzida pela professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), identificou a presença de mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá coletados nos manguezais da Baía de Paranaguá.

“Encontramos contaminantes que não são desejáveis, mercúrio e chumbo, concentrados no caranguejo. Isso é um alerta importante, pois indica que os manguezais estão recebendo contaminantes de atividades humanas e industriais”, destaca.

Ela explica que os caranguejos podem ter mecanismos naturais de defesa, como a eliminação de metais pela carapaça ou a proteção oferecida por antioxidantes presentes nas folhas de mangue, sua principal fonte alimentar.

Outro levantamento, coordenado pelo oceanógrafo Eduardo Marone, mostrou que 93,6% dos peixes vendidos no litoral paranaense continham microplásticos em seus sistemas digestivos. A maior incidência foi registrada em espécies demersais, que vivem próximas ao fundo do mar.

“Não há risco imediato para os consumidores, já que o músculo é a parte ingerida, mas precisamos investigar se partículas tóxicas podem migrar para os tecidos”, explicou Marone.

O problema não se limita aos peixes. Segundo o estudo, 69% das gaivotas e corujas-buraqueiras analisadas também tinham fragmentos plásticos em seus organismos, evidenciando que a poluição afeta toda a cadeia alimentar.

“O que estamos vendo é que a poluição não fica restrita ao ambiente marinho. Ela pode chegar ao prato das pessoas e, com o tempo, trazer consequências sérias para a saúde pública”, destaca Metri.

Ainda assim, a pesquisadora ressalta que é preciso aprofundar os estudos para avaliar os impactos no consumo humano.

Além de caranguejos e peixes, o programa acompanha tartarugas-verdes, das quais 80% das encontradas mortas tinham lixo no trato digestivo.

Maringa.Com, com informações da Agência Brasil
Por Gabrielle Nascimento