Polícia Civil cumpre mandados contra esquema de venda de laudos médicos em Maringá
Operação foi realizada na manhã desta quinta-feira (19). Médico sócio-proprietário da clínica se pronunciou sobre a investigação.
A Polícia Civil cumpriu seis mandados de busca e apreensão contra um esquema de venda de laudos médicos em uma clínica vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS) de Maringá. A operação aconteceu na manhã desta quinta-feira (19), quando os agentes cumpriram ordens em residências, na clínica e em um escritório da cidade.
Segundo a investigação, os laudos médicos eram utilizados para a obtenção de isenções tributárias na compra de veículos, benefício concedido a pessoas com deficiência. Entre os benefícios solicitados estão a isenção de ICMS, IPI e IPVA.
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Conforme o delegado Thiago Vicentini de Oliveira, o esquema envolvia profissionais da saúde e despachantes. Corretores realizavam a captação de interessados e direcionavam os pacientes a uma clínica médica.
No local, médicos emitiam laudos de incapacidade com base no credenciamento da clínica ao SUS realizado junto ao município, requisito exigido para a concessão da isenção.
“Os investigados exigiam pagamento para a emissão dos documentos. Os valores variavam entre R$ 300 e R$ 1 mil, pagos em dinheiro ou por transferência bancária via Pix”, explica.
Em 2025, 324 pessoas foram atendidas na clínica. Considerando uma média de R$ 725 por emissão de laudo, estima-se que os profissionais da saúde tenham recebido cerca de R$ 170 mil.
Médico e ex-vereador se pronuncia sobre a investigação

O médico ortopedista e ex-vereador de Maringá, Carlos Eduardo Saboia, comentou sobre a operação desta quinta-feira e afirmou que foi surpreendido pelos policiais.
Saboia explicou que a clínica na qual é sócio-proprietário é privada, mas também atende pelo SUS, e só cobra os valores dos laudos de pacientes particulares, que precisam apresentar uma série de exames que comprovem a incapacidade física. “A grande verdade é que eu nunca realizei emissão de laudos para pacientes de SUS".
O médico também afirmou estar aguardando a intimação para apresentar sua defesa e acredita que a situação é “um mal entendido”.