CINEMA

‘O Agente Secreto’ e as chances de um ‘bicampeonato’ do Brasil no Oscar 2026

'Valor Sentimental' é o principal obstáculo no caminho do longa brasileiro em Filme Internacional, enquanto a disputa de Wagner Moura em Melhor Ator está mais aberta.

‘O Agente Secreto’ e as chances de um ‘bicampeonato’ do Brasil no Oscar 2026
Apesar de ter conquistado prêmios importantes, ‘O Agente Secreto’ não é favorito à vitória. - Foto: Divulgação/Vitrine Filmes

A temporada de premiações chega ao fim no domingo (15), com a 98ª edição do Oscar que, novamente, tem a presença do Brasil na disputa por estatuetas.

‘O Agente Secreto’, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, concorre em quatro categorias — Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco, novidade na cerimônia —, um ano depois da vitória histórica de ‘Ainda Estou Aqui’, que trouxe o primeiro Oscar do Brasil.

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Um país conquistar a estatueta de Filme Internacional em dois anos seguidos é um feito para poucos. Desde que a categoria foi introduzida na cerimônia, em 1956, apenas quatro países ganharam consecutivamente:

  • Itália: em 1956 e 1957, com ‘A estrada da vida’ e ‘Noites de Cabíria’; em 1963 e 1964, com ‘Oito e meio’ e ‘Ontem, hoje e amanhã’; e 1970 e 1971, com ‘Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita’ e ‘O jardim dos Finzi-Contini
  • França: em 1958 e 1959, com ‘Meu tio’ e ‘Orfeu negro’; em 1972 e 1973, com ‘O charme discreto da burguesia’ e ‘A noite americana’; e 1977 e 1978 , com ‘Madame Rosa, a vida à sua frente’ e ‘Preparem seus lenços’
  • Suécia: em 1960 e 1961, com ‘A fonte da donzela’ e ‘Através de um espelho’
  • Dinamarca: em 1987 e 1988, com ‘A festa de Babette’ e ‘Pelle, o conquistador’

Apesar de ter conquistado prêmios importantes como o Globo de Ouro, o Critics Choice Awards e o Independent Spirit Awards, além de ter saído como o filme mais vitorioso do Festival de Cannes em maio de 2025, ‘O Agente Secreto’ não é favorito à vitória.

A previsão da Variety, uma das principais publicações da mídia especializada em cinema, aponta que o longa pode sair de mãos vazias no domingo. Em Melhor Filme, a disputa está consolidada entre ‘Pecadores’ e ‘Uma Batalha Após a Outra’, em Direção de Elenco, a estatueta também deve ir para uma dessas produções, mas os brasileiros encontram seu maior obstáculo em ‘Valor Sentimental’, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Stellan Skarsgård e Renate Reinsve em 'Valor Sentimental. Créditos: Divulgação/MUBI

Dirigido por Joachim Trier, o filme norueguês também estreou em Cannes, onde foi premiado com o Grand Prix, segundo prêmio mais importante, mas passou batido na temporada de premiações até fevereiro, quando venceu o Bafta. O ‘Oscar britânico’ compartilha grande parte de seu corpo de votantes com a Academy of Motion Pictures, Arts and Sciences (AMPAS), tem o costume de valorizar o cinema europeu e, nos últimos anos, se tornou um termômetro importante para quem gosta de fazer suas apostas.

Em 2025, Demi Moore era a favorita ao Oscar.. O único prêmio principal em que não saiu vencedora, além do Oscar, foi justamente o Bafta, conquistado por Mikey Madison, que até então não havia ganhado nenhuma premiação televisionada e, semanas depois, levou para a casa a estatueta de Melhor Atriz.

O baiano tem o Oscar?

Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’. Créditos: Divulgação/Vitrine Filmes

O caminho de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator está mais aberto. Durante meses, a estatueta já parecia estar nas mãos de Timothée Chalamet, de ‘Marty Supreme’. No entanto, a partir do Bafta, o cenário começou a mudar.

Robert Aramayo, do filme britânico ‘Eu Juro’, que não está indicado ao Oscar, foi consagrado na categoria de Melhor Ator. No Actor Awards, prêmio do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos, que também possui muitos votantes do Oscar, o vencedor foi Michael B. Jordan, de ‘Pecadores’.

Essa divisão entre vencedores indica que não existe consenso em torno da performance de Chalamet dentro da Academia, o que pode abrir os caminhos para o ator baiano.

Diferente de Fernanda Torres no ano passado, Moura já é conhecido em Hollywood graças a seus papéis na série da Netflix ‘Narcos’ e em filmes como ‘Guerra Civil’. A simpatia em torno de ‘O Agente Secreto’, a atuação aclamada de todo o elenco, o tom político do filme, que se passa durante a ditadura militar, e as semelhanças com a realidade dos Estados Unidos governado por Donald Trump também podem atrair votos em uma Academia que está, cada vez mais, tentando passar mensagens por meio das escolhas dos vencedores.

Maringa.Com
Por Vanessa Santa Rosa