CRIMES VIRTUAIS

Relembre o caso da maringaense Rose Leonel, que será abordado em série documental da HBO Max

Crime de exposição íntima na internet em 2006 deu origem à Lei Federal 13.772/18.

Relembre o caso da maringaense Rose Leonel, que será abordado em série documental da HBO Max
20 anos após ver sua vida virar do avesso, Rose revisita sua história através da série documental “Nua na Rede: A Verdade Sobre Rose Leonel”. - Foto: Divulgação/HBO Max

O ano era 2006, quando a jornalista maringaense Rose Leonel se tornou uma das primeiras vítimas da chamada “pornografia de vingança” no Brasil.

Seu ex-namorado, Eduardo Gonçalves da Silva, divulgou cerca de 400 fotos íntimas, muitas manipuladas, em sites nacionais e internacionais, além de enviá-las por e-mail a amigos, familiares e colegas de profissão. As imagens também foram espalhadas pelas ruas de Maringá.

O caso ganhou repercussão nacional e, anos depois, resultou em mudanças no Código Penal Brasileiro. Em 2018, foi sancionada a Lei nº 13.772/18, conhecida como Lei Rose Leonel, que tipifica como crime a divulgação não consensual de imagens íntimas.

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Vinte anos após o episódio, Rose revisita sua história na série “Nua na Rede: A Verdade Sobre Rose Leonel”. Produzida pela HBO Max, os três primeiros episódios entram no catálogo do streaming no dia 10 de março.

A produção aborda sua trajetória judicial contra o influente agressor em uma época em que pouco se discutia sobre crimes digitais, além dos impactos psicológicos e sociais que sofreu.

Desmoralização pública

Além da divulgação digital, Eduardo chegou a imprimir fotos e colar em postes pelas ruas de Maringá, incluindo endereço e telefone da vítima, insinuando prostituição. Rose, que apresentava um programa local, foi demitida em dois meses e sofreu perseguições que afetaram até seu filho mais velho, que precisou se mudar para a Europa.

Condenação do agressor

Eduardo foi condenado apenas em 2011, por calúnia e difamação, com pena de 11 meses e 20 dias, substituída por prestação de serviços comunitários e indenização mensal de R$ 1,2 mil. Anos depois, Rose também conseguiu o arresto de um imóvel de Silva.

Impacto social

Além da lei que leva seu nome, Rose fundou em 2014 a ONG Marias da Internet, que oferece apoio jurídico, psicológico e pericial a vítimas de crimes digitais.

“Espero que a minha história possa inspirar outras mulheres, porque nós não podemos nos omitir. Esse poder de indignação que carregamos precisa nos acompanhar durante toda a vida”, reflete Rose, em entrevista à Marie Claire.

Confira o trailer da série documental “Nua na Rede: A Verdade Sobre Rose Leonel”:

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Por Gabrielle Nascimento