Dona Itibéti: conheça a capivara virtual criada por alunos do Colégio Brasílio Itiberê
Grupo usou Inteligência Artificial para implantar chatbot inusitado nas redes sociais.

Até há pouco tempo, para saber os horários das aulas ou a data de uma prova, era necessário ir até a escola e consultar um mural nos corredores. Hoje, basta enviar uma mensagem no direct do Instagram do colégio para receber uma resposta em poucos segundos.
É o que acontece no Colégio Estadual Brasílio Itiberê, em Maringá, onde um grupo de estudantes usou Inteligência Artificial (IA) para desenvolver uma ação pioneira na rede estadual: implantar um chatbot – nome dado a programas de computador que simulam conversas humanas – diretamente no perfil da escola na rede social.
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Também por meio de IA, os estudantes deram nome, voz e rosto ao robô virtual. O chatbot passou a ser representado pela mascote do colégio, uma simpática capivara uniformizada com as cores da escola, batizada de Dona Itibéti. Quem acessa o perfil do Colégio Estadual Brasílio Itiberê no Instagram vê e ouve o personagem por toda parte.
A qualquer momento, seguidores do colégio podem enviar uma mensagem para tirar dúvidas sobre grade curricular, matrículas, datas de eventos e conteúdos cobrados em avaliações como a prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), por exemplo.
Por meio de IA, o robô virtual busca informações em fontes pré-definidas, como o site da escola. A resposta vem automaticamente, em instantes.
“Qualquer seguidor pode interagir, enviando perguntas sobre provas, eventos, horários e até curiosidades da escola. Esse sistema já está sendo usado pelos alunos, que não só testam as funções como também ajudam a aperfeiçoar as respostas”, afirma Zeck Ascensio, professor da rede estadual e coordenador do projeto.
A mascote Dona Itibéti virou febre na escola, mas não é a única criação do clube de IA. Cerca de 15 estudantes, dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, se reúnem até três vezes por semana, em contraturno, para desenvolver diferentes inovações no laboratório de informática.
O próprio nome do projeto – “STEAM comVida”, uma referência à sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática – revela a versatilidade da ação. Além de desenvolver e aperfeiçoar o chatbot, os alunos fazem a comunicação da escola nas redes sociais ao criar podcasts, vídeos e músicas com auxílio de IA. Quizzes, desafios digitais e experimentos práticos também integram a ação.
Um exemplo recente foi o uso de IA para a elaboração de uma receita culinária, a partir de ingredientes como frutas e legumes. Os alunos colocaram a mão na massa para criar sucos, sanduíches e saladas variadas, e o resultado foi uma aula nutritiva e saborosa sobre as diferentes aplicações da IA.
O objetivo do projeto é, justamente, dar protagonismo aos estudantes. Enquanto criam ferramentas úteis para a própria escola, como a Dona Itibéti, eles desenvolvem habilidades importantes com a tecnologia.
“A Inteligência Artificial hoje é tão fundamental quanto já foram o ensino de Inglês e Informática em décadas passadas. Trabalhar IA na escola pública é garantir inclusão digital, formar cidadãos críticos e preparar os jovens para profissões do futuro”, enfatiza o professor Zeck Ascensio.
Os resultados da iniciativa já são perceptíveis. Conforme o educador, os integrantes do clube se tornaram mais participativos e comunicativos em sala de aula, e a comunidade escolar passou a enxergar a escola como um espaço de inovação e conexão digital. O intuito é servir de modelo para que outras escolas implantem projetos semelhantes.
“Basta criar o clube, dar o suporte inicial e deixar os alunos desenvolverem o protagonismo, como acontece aqui no Brasílio Itiberê. O STEAM comVida mostra que a escola pública não é atrasada, ela é protagonista. O futuro começa aqui, dentro da sala de aula”, destaca Zeck Ascensio.