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Podas de árvores bem feitas mantêm as raízes saudáveis

A poda é uma atividade desgastante para qualquer árvore, mas quando feita de maneira incorreta, de forma intensa ou fora do período adequado pode enfraquecê-la em razão das lesões decorrentes desses procedimentos. O inspetor do CREA de Paranavaí, o engenheiro florestal João Arthur de Paula Machado, explica que essas lesões funcionam como porta aberta para organismos decompositores, especialmente fungos, cupins e besouros que, se não tratadas adequadamente, podem causar danos irreversíveis à planta. “Os tocos dos ramos não deve ser deixados, pois aceleram o apodrecimento dos tecidos”, orienta Machado. De acordo com ele, a poda adequada deve evitar o corte de troncos e apresentar desgalhamento de, no máximo, 50%.

Os ventos canalizados em áreas urbanas, em regiões com grande número de edificações verticais também são inimigos da saúde das árvores, especialmente daquelas nas quais as raízes apresentam sinais de malformação provocada pela falta de espaço livre no entorno. Por essa razão é importante que os limites das árvores próximos do tronco não sejam envolvidos com cimento. “É preciso sobrar um pouco de terra para que haja infiltração da água e ventilação do solo”, explica o engenheiro florestal.

Rachaduras nas calçadas e aparecimento de raízes superficiais nos jardins que provocam danos nos encanamentos das casas, como naquelas onde não há área permeável, são os problemas mais comuns causados por raízes de árvores. Algumas espécies causam estragos por si só, como os fícus e outras espécies de figueiras.

O plantio das chamadas árvores de grande porte, a exemplo do alecrim, camboatá, sibipiruna, ipê roxo, açoita cavalo, oiti e pau ferro deve ser evitado em quintais que não apresentam bons canteiros ou pisos drenantes. Nas calçadas, devido aos fios da rede de energia elétrica, é recomendável plantar árvores de médio porte como ipê amarelo, pata de vaca, quaresmeira, barbatimão, cássia, aleluia, reseda (extremosa) e acácia, ou de baixo porte, como murta de cheiro, flamboyanzinho, manacá, escova de garrafa, hibisco, espiradeira e tuia.

À parte os tipos de espécie plantada, dependendo da qual os problemas futuros certamente ocorrerão, o engenheiro florestal aponta alguns fatores que devem prevalecer no momento de escolher a árvore para decorar e sombrear a casa ou a calçada: a planta deve estar adaptada ao clima; ter porte, forma e tamanho de copa adequados ao espaço disponível (frutos e flores pequenas); ter folhas pouco suculentas; não apresentar princípios tóxicos perigosos; ter rusticidade; não ter espinhos e possuir sistema de raízes que não prejudique o calçamento.