Reação popular contra IA faz empresas perderem trilhões de dólares em um dia; entenda
Eleitores dos Estados Unidos rejeitaram a instalação de data centers em 40 de 41 plebiscitos.
As empresas de inteligência artificial (IA) enfrentam um grande obstáculo na sua expansão: a resistência popular.
Nos Estados Unidos — berço das principais big techs que lideram o desenvolvimento da IA — moradores de diferentes regiões do país têm se mobilizado contra a instalação dos centros de processamento de dados, os chamados data centers.
Elevado consumo de água, conta de energia mais cara, impactos ambientais, baixa geração de emprego e benefícios concentrados nas empresas são alguns dos motivos que tornam as estruturas impopulares.
Derrota doeu na bolsa de valores
A desaprovação e mobilização popular virou poder de veto durante as eleições de meio de mandato nos EUA. No dia 3 de novembro de 2026, 40 dos 41 plebiscitos realizados em dez estados americanos rejeitaram a instalação dos data centers.
O cenário negativo impactou investidores e aumentou a preocupação com o futuro das gigantes de tecnologia. O resultado doeu no bolso. Ou melhor, na bolsa de valores.
No dia 5 de novembro, empresas ligadas à tecnologia da IA registraram perdas de trilhões de dólares em valor de mercado.
Segundo levantamento do G1, as 500 maiores empresas americanas que compõem o índice S&P 500 perderam aproximadamente US$ 3 trilhões (cerca de R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado.
Entre as chamadas Magnificent Seven (ou “Sete Magníficas” em tradução literal), grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Nvidia, Meta, Alphabet (Google) e Microsoft, a perda foi de aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões).
Além do S&P 500, o Nasdaq Composite, que reúne principalmente empresas de tecnologia, caiu 5,52%, registrando a maior baixa diária desde abril de 2025.
A desvalorização atingiu fabricantes de chips, empresas de computação em nuvem e outras companhias diretamente ligadas ao desenvolvimento da inteligência artificial.
Por que o povo americano se mobiliza contra a inteligência artificial?
A resistência popular não se direciona às ferramentas de IA, mas às estruturas físicas que a tecnologia exige para seu funcionamento. O principal alvo de reprovação são os data centers.
Como a IA funciona
Cada pergunta enviada a uma ferramenta de IA (ChatGPT, Copilot, Gemini, entre outros) exige processamento computacional. Para realizar essas operações, empresas precisam de milhares de servidores, equipamentos especializados e sistemas de armazenamento de dados. Todos esses recursos ficam concentrados nos data centers.
Para manter um data center operante, é necessário grandes quantidades de energia elétrica e água, principalmente para refrigeração. O funcionamento é intenso e contínuo podendo atrapalhar o fornecimento de água e luz nas regiões em que são instalados. As principais reclamações dos moradores em regiões de data centers são:
Conta de energia mais cara: o elevado consumo dos centros de processamento pode pressionar a rede elétrica e contribuir para o aumento dos custos de abastecimento.
Consumo de água: sistemas de refrigeração podem utilizar grandes volumes de água, especialmente em regiões que enfrentam períodos de estiagem ou restrições hídricas.
Impactos ambientais: a construção de grandes complexos exige áreas extensas e pode provocar alterações ambientais e na paisagem local.
Poucos empregos permanentes: apesar de movimentar a economia durante as obras, a operação dos data centers costuma exigir menos trabalhadores do que outros empreendimentos industriais de grande porte.
Benefícios concentrados: moradores questionam se os ganhos financeiros ficam principalmente com as grandes empresas, enquanto os custos de infraestrutura e os impactos são divididos com a população.
Até pouco tempo, a disputa entre as gigantes da tecnologia estava concentrada em desenvolver sistemas cada vez mais poderosos e conquistar usuários. Agora, as empresas também precisam lidar com questionamentos sobre consumo de recursos naturais e responsabilidade ambiental.
Cenário no Brasil
A ameaça dos data center não está limitada ao território norte americano. A construção de data centers é uma disputa global, e o Brasil aparece entre os países que podem receber parte desses investimentos.
O território brasileiro reúne características consideradas atrativas como disponibilidade de fontes renováveis de energia, mercado consumidor expressivo e localização estratégica na América Latina.
O governo federal também tem adotado medidas para estimular a instalação dessas estruturas, incluindo incentivos fiscais por meio do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).