Maringá recebe a primeira edição do Itan - Encontro de Contação de Histórias
Evento será realizado nos dias 14 e 15 de novembro. Confira a programação.
Nos dias 14 e 15 de novembro, Maringá recebe a primeira edição do Itan - Encontro de Contação de História de Maringá. Serão dois dias de atividades: o primeiro no Parque Alfredo Werner Nyffeler (Buracão) e o segundo na Casa Luanda Associação Afro-Cultural.
De origem iorubá, a palavra itan significa conto, história ou narrativa tradicional. Nas tradições iorubás e nas religiões de matriz africana, como o Candomblé, os itans transmitem histórias sobre os orixás, seus feitos e suas relações, preservando conhecimentos, valores e saberes ancestrais.
O termo também aparece em contextos artísticos e literários relacionados à ancestralidade e à oralidade africana. A partir deste conceito, nasce o projeto de Isabela Lorena, contemplado pelo Fomento Aniceto Matti.
“Surge da necessidade de resgatar e preservar a tradição ancestral da contação de história. Para a infância, a contação de história é ferramenta para o pleno desenvolvimento do ser, nutrindo a imaginação e proporcionando ferramentas para o crescimento que vai além do intelecto, mas que constrói bases para as conquistas importantes dessa fase humana, como o pensar, o sentir e o querer. Nas culturas tradicionais, quando uma comunidade se reúne para ouvir a história que seu mais velho tem para contar, ela se fortalece, se encoraja a fazer o que precisa ser feito”, explica Lorena.
Um dos destaques do encontro é a presença de narrativas negras, representadas por Edna Aguiar, de Londrina, e Juliana Correia, do Rio de Janeiro.
Edna Aguiar se apresenta no primeiro dia, a partir das 15h, no Buracão, e, no segundo dia, a partir de 14h30 na Casa Luanda. Ela é atriz, cantora, contadora de histórias e "artivista".
Neta de indígena Kaingang e descendente de africanos, ela dedica sua carreira à valorização das ancestralidades afro-indígenas-brasileiras. Desde 2009, dá vida à sua personagem mais marcante, a Preta do Leite, inspirada nas antigas vendedoras de leite que circulavam de porta em porta partilhando histórias.
Juliana Correia é escritora, contadora de histórias, jornalista, mestra em Educação (UFRRJ), pós-graduada em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras (IFRJ) e fundadora do BaObazinhO, trabalho itinerante que alia arte, memória e educação a partir da contação de histórias africanas.
No segundo dia, a partir das 16h30, ela apresenta “Memórias, mistérios e travessuras”, composta por duas narrativas: “O Curió de Quelé” e “Quem vai lá buscar a bola?”.
A primeira história narra a saga da menina Quelé em busca de seu passarinho, desaparecido há três dias. Escrita em homenagem a Clementina de Jesus, a narrativa destaca as influências musicais maternas da artista e reverencia o quilombo São José da Serra, localizado em Valença, município do Vale do Paraíba fluminense onde ela nasceu.
A comunidade ainda preserva expressões culturais de matriz africana, como o Jongo. A segunda narrativa é ambientada no morro do Trapicheiro, na Tijuca da década de 1950, e acompanha um grupo de crianças empenhadas em resgatar a bola de futebol que caiu no quintal da Dona Esmeraldina, uma vizinha muito ranzinza. A contação dura 45 minutos e é recomendada para crianças maiores de cinco anos.
No segundo dia, além das contações de histórias, haverá atividades lúdicas com bolhas de sabão e circo de bambu, conduzidas pela trupe Primavera Jataí.
SERVIÇO
Itan - 1º Encontro de Contação de História de Maringá
Dias 14 e 15 de novembro
Gratuito | Acessível em Libras