Óculos da Meta gravam vídeos, usam IA e levantam alertas sobre privacidade; veja modelos e preços
No Brasil, o Ministério Público Federal pede investigação sobre possíveis riscos a quem é filmado sem consentimento pelo dispositivo.
Lançados em setembro de 2025, os óculos inteligentes Ray-Ban Meta combinam o visual de óculos convencionais com recursos de câmera, áudio e inteligência artificial (IA), sendo uma das tecnologias mais avançadas e inovadoras do momento.
No entanto, a novidade desafia a privacidade e pode ultrapassar limites da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Desenvolvidos pela Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, em parceria com a fabricante EssilorLuxottica, os dispositivos permitem registrar imagens, ouvir música, atender chamadas e interagir com a assistente virtual sem precisar pegar o celular.
Como funcionam os óculos inteligentes da Meta?
Os modelos mais recentes, os Ray-Ban Meta, têm câmeras e microfones integrados à armação, além de alto-falantes que permitem ouvir conteúdos sem utilizar fones tradicionais.
Conectados a um celular, eles oferecem funções como fotografar, gravar vídeos, reproduzir músicas, atender ligações e compartilhar conteúdos nas redes sociais.
Os modelos compatíveis também contam com recursos da Meta AI, a inteligência artificial da empresa.
Por meio de comandos de voz, o usuário pode solicitar informações, fazer perguntas sobre elementos ao redor e utilizar funções de tradução, conforme os recursos disponíveis no modelo e no mercado.
A proposta é permitir que essas atividades sejam realizadas com as mãos livres. A câmera, por exemplo, registra o que está diante do usuário sem que ele precise segurar um telefone.
A linha não se limita aos modelos com câmera. A Meta também apresentou uma versão chamada Ray-Ban Meta Audio, que mantém recursos de áudio e inteligência artificial, mas não permite fotografar ou gravar vídeos.
Já o Ray-Ban Meta Display incorpora uma tela à experiência dos óculos, ampliando as possibilidades de interação com informações digitais.
Modelos e preços
Os aparelhos são comercializados em diferentes formatos, cores e configurações. A segunda geração, conhecida como Gen 2, inclui armações como Wayfarer, Skyler e Scriber Optics. A terceira geração, Gen 3, trouxe atualizações de hardware e novos formatos, incluindo o Aviator.
De acordo com preços consultados no site oficial da Ray-Ban em outubro de 2026, os valores variam conforme o modelo e as características das lentes.
- Ray-Ban Meta Gen 2: modelos encontrados no varejo brasileiro por cerca de R$ 3 mil a R$ 3,9 mil, dependendo da armação e da oferta.
- Ray-Ban Meta Gen 3: modelos com preços anunciados a partir de R$ 3.699, podendo ultrapassar R$ 4 mil.
- Edições especiais: versões com combinações específicas de armação e lentes podem custar mais de R$ 4,5 mil.
Os preços podem variar conforme a loja, a configuração e as promoções. Os valores acima são referências de mercado, não uma tabela fixa para todos os modelos.
A terceira geração mantém as principais funções da linha anterior, com melhorias de bateria, microfones e acabamento. Segundo comparação publicada pelo UOL em 26 de setembro de 2026, a Gen 3 oferece até nove horas de bateria. A geração anterior, por sua vez, continua compatível com diversas funções centrais, como câmera, áudio e Meta AI.
Tecnologia causa preocupação ao redor do mundo
O principal questionamento sobre a tecnologia dos óculos Meta envolve a possibilidade de fotografar, filmar ou captar áudio de pessoas que não sabem que estão sendo registradas. Como os dispositivos se parecem com óculos comuns, pode ser difícil perceber quando alguém está utilizando a câmera.
Em 20 de agosto, o Idec e a Coding Rights encaminharam uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e ao Ministério Público Federal (MPF). As organizações pediram uma apuração sobre possíveis violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao Código de Defesa do Consumidor (CDC).
No documento, as entidades afirmaram que os aparelhos podem criar um cenário de “vigilância constante e velada”. A preocupação inclui possíveis gravações de mulheres, crianças e adolescentes sem autorização, além de situações íntimas ou constrangedoras.
Um dos pontos discutidos é o indicador luminoso dos óculos, que sinaliza quando uma foto ou gravação de vídeo está sendo feita. Para as organizações, o mecanismo pode não ser suficiente para impedir todos os usos indevidos.
A Meta, por outro lado, afirma que o indicador não pode ser desligado e que a câmera é desativada se a luz for coberta ou danificada. A empresa também destaca que os dispositivos podem ser utilizados para ouvir música, fazer traduções e realizar chamadas com as mãos livres.
A discussão não se restringe ao Brasil. Em outubro, a Noruega anunciou que pretende propor uma proibição temporária dos óculos inteligentes em determinados locais públicos, com o objetivo de evitar registros sem consentimento. No Reino Unido, teatros e outros estabelecimentos também adotaram restrições ao uso dos dispositivos.
Óculos inteligentes foram sorteados em Maringá
Em setembro, o Shopping Catuaí de Maringá anunciou uma campanha em parceria com a rede Óticas Carol para sortear três modelos Ray-Ban Meta: Scriber Optics Gen 2, Skyler Gen 2 e Wayfarer Gen 2.
A promoção previa participação gratuita para maiores de 18 anos residentes no Paraná, cadastrados no Programa de Relacionamento do shopping.
As compras nas lojas participantes geravam pontos e números da sorte na plataforma. A campanha ficou aberta até 30 de setembro.