SAÚDE

Número de atendimentos de acidentes com escorpiões cresceu 15% em 2026 no HU de Maringá

De acordo com informações do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), a maioria dos casos envolve o escorpião amarelo.

Número de atendimentos de acidentes com escorpiões cresceu 15% em 2026 no HU de Maringá
Os sintomas da picada do escorpião podem ser variados, a depender do animal e da vítima. - Foto: Arquivo/Agência Brasil
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O número de atendimentos relacionados a acidentes com escorpiões em Maringá chegou a 902, entre janeiro e agosto de 2026, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), do Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) registrou 767 casos envolvendo escorpiões.

O CIATox é referência no Paraná e atende 32 municípios da 15ª Regional de Saúde. Segundo a coordenadora do centro, a enfermeira Marcia Guedes, existe uma “crise silenciosa” na proliferação de escorpiões na região. O calor excessivo, resultante das mudanças climáticas, acelera o processo reprodutivo desses animais (que se reproduzem por partenogênese, ou seja, sem necessidade de acasalamento entre fêmea e macho). Além disso, o fato de não encontrarem predadores nas cidades faz com que os escorpiões se proliferem rapidamente.

“É muito importante limpar terrenos, evitar acúmulo de entulho, lixo, folhas secas. Controlar a proliferação de insetos é fundamental para conter o avanço dos escorpiões, já que gafanhotos, grilos e baratas servem de alimento para eles”, alerta a coordenadora.

A grande maioria dos atendimentos do HUM, segundo Marcia, se concentra no escorpião amarelo (Tityus serrulatus). Ela reforça que não é estritamente necessário levar o animal capturado para o diagnóstico, mas fotos e vídeos ajudam “desde que sejam realmente do animal que causou o acidente”.

Sintomas e atendimento

Os sintomas da picada do escorpião podem ser variados, a depender do animal e da vítima.

Em casos leves, podem surgir dores e amortecimento leve no local da picada; em casos moderados, dor intensa, vômitos ocasionais, suor, agitação, taquicardia e hipertensão arterial; casos graves são característicos por dor intensa, suor e vômitos intensos, acompanhados de pulso lento, falta de ar intensa e choque, em muitos casos podendo ser fatal. Atenção especial deve ser dirigida a menores de 7 e a maiores de 60 anos de idade.

É fundamental lavar bem o local da picada com água e sabão. Outro ponto é realizar a captura do animal, com segurança, levando-o em um recipiente vedado para que seja identificado no serviço de saúde. Em seguida, é recomendado buscar ajuda imediatamente em uma unidade de saúde. O uso do soro antiescorpiônico não é necessário em todos os casos de acidentes, a depender do quadro do paciente.

Acidentes com animais peçonhentos

Os números envolvendo animais peçonhentos também subiram: foram 1291 casos entre janeiro e agosto de 2026, contra 1004 no ano passado, um aumento de 23%.

Esses registros englobam, além dos escorpiões, aranhas (186), himenópteros (insetos como abelhas, formigas e vespas, com 62 casos), serpentes (47) e outros animais peçonhentos/venenosos (46).

Maringa.Com, com informações da ASC UEM
Por Vanessa Santa Rosa