‘Backrooms: Um Não Lugar’ mostra um labirinto de horrores para pessoas solitárias
Dirigido por Kane Parsons, o filme baseado em uma lenda urbana da internet está em cartaz nos cinemas de Maringá.
Qual é a sua ideia de inferno pessoal? Para os personagens de ‘Backrooms: Um Não Lugar’, o terror está em um labirinto sufocante sem fim, com aparência de escritório vazio, paredes pintadas em um tom amarelado anêmico, iluminadas por luzes brancas fluorescentes, e carpete com aparência de úmido.
Dirigido por Kane Parsons, que prestes a completar 21 anos é o diretor mais jovem a trabalhar com a produtora norte-americana A24, o universo do filme é uma adaptação da série criada por ele em 2022, disponibilizada em seu canal de YouTube e inspirada em uma lenda urbana digital que surgiu no Reddit em 2019.
Uma foto simples de um escritório vazio foi o suficiente para que milhares de teorias fossem criadas por usuários. Em pouco tempo, o universo dos backrooms ganhou vida própria e foi se tornando mais complexo, como nos vídeos produzidos por Parsons, que acumulam centenas de milhões de visualizações e chamaram a atenção de Hollywood. A A24, responsável por filmes como ‘Hereditário’ e ‘Midsommar’, anunciou o diretor do longa ainda em 2023, quando ele era um adolescente de 17 anos.
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Na história roteirizada por Will Soodik (‘Westworld’), Clark (Chiwetel Ejiofor) é um arquiteto frustrado, dono de uma loja de móveis sem clientes e à beira do colapso depois de ser expulso de casa pela esposa. Solitário, ele abusa do álcool e busca ajuda em sessões com sua terapeuta, Mary (Renate Reinson), que tem a vida marcada pela doença mental da mãe.
Sem ter onde morar, Clark dorme em uma das camas à venda na loja. Uma noite, ele desce até o porão para investigar a origem das falhas elétricas que tem acontecido no local há meses quando descobre um portal para uma dimensão que parece não ter fim e reflete as angústias desses personagens interminavelmente assombrados por seus passados.
A descoberta do espaço está entre os minutos mais interessantes do longa, a tensão palpável enquanto Clark anda sem saber o que ou quem o espera ao entrar em mais uma sala idêntica. A arquitetura desse “não lugar” acaba lembrando a dinâmica da própria internet, capaz de mostrar conteúdos aparentemente inofensivos nos feeds das redes sociais, ao mesmo tempo em que abriga as ideias mais bizarras em cantos não tão obscuros.
Nos momentos mais tensos de ‘Backrooms’, Parsons coloca a câmera em seus personagens, em uma espécie de ‘A Bruxa de Blair’ do espaço limiar. A atmosfera de aflição é exacerbada pelo som do silêncio absoluto de um ambiente sem janelas, preenchido apenas pela respiração dos personagens, o zumbido das lâmpadas ou um ruído que indica a aproximação de uma presença amedrontadora.
Quando o filme se volta ao método mais hollywoodiano de fazer horror, o universo perturbador criado por Parsons perde um pouco de seu impacto, mas a confiança com que o diretor leva a história e conduz seus atores aponta para um futuro promissor do cinema de terror, assim como o apoio de James Wan (‘Invocação do Mal’) e Osgood Perkins (‘Longlegs - Vínculo Imortal’) na lista de produtores.
‘Backrooms: Um Não Lugar’ está em cartaz nos cinemas de Maringá. Confira os horários das sessões.