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Atacadão, empresa criada em Maringá, tem abertura barrada na França após pressão popular

O prefeito de uma cidade a 18 km de Paris criou um abaixo-assinado e organizou manifestações contra a instalação do mercado na região; entenda.

Atacadão, empresa criada em Maringá, tem abertura barrada na França após pressão popular
Apesar de pertencer ao grupo francês Carrefour desde 2007, a unidade seria o primeiro atacadista presente no país. - Foto: Divulgação

Inaugurado no ano de 1962, em Maringá, o Atacadão — maior rede atacadista do Brasil com mais de 374 lojas de autosserviço e 30 atacados de distribuição —, teve grande expansão internacional desde que foi comprado pelo grupo francês Carrefour, em 2007. Atualmente, o mercado está presente no Marrocos, Colômbia, Argentina, Romênia e Espanha.

No entanto, na França, especificamente em Sevran, cidade a 18 km da capital Paris, a empresa não foi bem recebida. Previsto para ser inaugurado ainda no primeiro trimestre de 2023, o Atacadão de Sevran seria a primeira unidade de mercado atacadista no país.

O objetivo, de acordo com o CEO do grupo Carrefour, Alexandre Bompard, era proporcionar uma opção de mercado destinada à população com menor poder aquisitivo, já que as unidades do mercado brasileiro vendem grandes quantidades de produtos com maior desconto.

No entanto, o negócio não agradou. Ao saber da instalação do mercado na cidade em janeiro, o prefeito Stéphane Blanchet mandou uma carta ao CEO do grupo Carrefour destacando que a escolha era “desastrosa”.

Após dias sem respostas, o prefeito divulgou uma nota oficial anunciando que não desistiria de se opor à empresa:

“Estou totalmente mobilizado ao lado de funcionários, de sindicatos e de todos os atores do território para prevenir este projeto de baixo custo, que degrada a oferta comercial de Sevran e ameaça o projeto de cidade sustentável, ecológica e solidária pelo qual trabalhamos arduamente há vários anos”.

O mês de março chegou e, como a empresa Carrefour parecia não recuar, Blanchet criou um abaixo-assinado com o nome “Não Ao Atacadão”. Foram milhares de assinaturas, mas ineficazes.

Então, no último sábado (11), o prefeito “dobrou a aposta” e organizou uma manifestação e protestou em frente ao Carrefour da cidade, onde seria instalado o Atacadão. Poucas horas depois, a empresa anunciou a desistência do negócio.

Dias depois da vitória, a mobilização da comunidade de Sevran foi elogiada pela deputada Clémentine Autain, que destacou a força do povo em “dobrar” o grupo Carrefour. “A lógica do Atacadão do ‘sempre mais’ em detrimento da qualidade de vida, do emprego, da economia local, deve ser demolida”, endossou.

Maringa.Com, com informações da Folha de S. Paulo.
Por Gabrielle Nascimento