SAÚDE

Brasil terá vacina contra rotavírus

Em breve, as crianças brasileiras estarão mais protegidas contra o temido rotavírus, a principal causa de gastrointerite (vômito e diarréia) no mundo. A informação foi dada ontem pelo infectologista pediátrico Otávio Augusto Leite Cintra, do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto (SP) e representante da Sociedade Brasileira de Pediatria, que esteve em Londrina para proferir palestra para médicos e enfermeiros sobre tecnologia de imunização contra doenças infecto-contagiosas.

Segundo o médico, a vacina para combater o rotavírus já foi licenciada no México e deverá estar disponível no Brasil até o ano que vem. ''O Ministério da Saúde está fazendo levantamento para ver quais vacinas deverão integrar o Programa Nacional de Imunização. Estão sendo estudadas as vacinas contra catapora, pneumococo, meningococo C e rotavírus, que são doenças graves, causadoras de um alto índice de mortalidade, principalmente em se tratando de crianças menores de dois anos.''

Cintra informou que o rotavírus é responsável pela morte de 440 mil pessoas por ano no mundo, provocando 2 milhões de hospitalizações e 26 milhões de consultas médicas. O vírus, de acordo com o infectologista, é a causa de cerca de 40% dos quadros de gastrointerites. ''Quanto menos desenvolvido o país, maiores os problemas com o vírus'', explicou.

O médico afirmou ainda que desde 1980 a pesquisa para descobrir uma vacina para o rotavírus é considerada prioridade pela Organização Mundial da Saúde. A vacina a ser adotada no Brasil será administrada pela via oral, na forma líquida, nos primeiros quatro meses de vida, em duas doses. ''A vacina tem como alvo principal a diminuição dos episódios graves de gastrointerite, mas não será uma vacina contra diarréia, até porque ela pode ter outras causas'', esclarece.

O infectologista lembrou também que é a primeira vez, nos últimos anos, que uma vacina está em fase de licenciamento já com chances de entrar para o calendário de vacinação. Isto demonstra, segundo ele, uma preocupação em melhorar um programa de imunização que já é considerado um dos melhores do mundo. ''Temos um calendário de vacinação invejável. Poucos países oferecem tantas vacinas gratuitamente.''

Para Cintra, a vacinação se tornou uma especialização da medicina que deve ter lugar garantido nas consultas de rotina. O pediatra ou clínico geral, segundo o médico, devem sempre esclarecer sobre a necessidade ou não desta forma de imunização, mostrando as alternativas disponíveis nas clínicas particulares e esclarecendo sobre o programa oferecido gratuitamente.

Folha de Londrina