A professora com deficiência visual, Janaína de Fátima Agostinis Souza, 35 anos, é exemplo de quem venceu os obstáculos e não estacionou diante das dificuldades. Ela é casada, mas não tem filhos e há 4 anos, leciona para alunos especiais do Ensino Fundamental I, na Escola Municipal Ulysses Guimarães, em Maringá. Pedagoga com especialização em Educação Especial e Neuropedagogia, ela foi aluna inclusiva e, hoje, ajuda outros estudantes a superar os obstáculos da exclusão. Os jogos pedagógicos e o alfabeto móvel utilizados por ela são adaptados ao sistema Braille. Os sistemas operacionais que ela utiliza no computador promovem a leitura em voz alta de documentos.“A escola deve estar preparada para receber as diferenças. Fui uma aluna de inclusão de escola pública e tive meu material adaptado pelo Estado. Acredito na melhoria das potencialidades em meio às dificuldades. Temos que acreditar que o deficiente é capaz e o mercado de trabalho precisa saber incluí-lo”, afirma. Natural de Goioerê, veio para Maringá estudar com 7 anos. Foi adaptada à linguagem de deficientes visuais, desde então. Na sua vida acadêmica, ganhou bolsa da instituição de ensino, entretanto, os materiais não eram adaptados. “Eu gravava as aulas com um gravador de fita k7 para poder transcorrer o aprendizado em casa e poder estudar”, conta. Ela teve apoio das colegas de ensino, que também gravava aulas eventuais para ajudá-la. Nesse meio tempo, a tecnologia conseguiu acompanhá-la com os sistemas operacionais específicos em que os documentos são lidos. “As dificuldades existem, mas não podemos desistir. O deficiente deve ter garra e apoio”, afirma. Na escola onde trabalha, Janaína utiliza a sala de recursos multifuncional, que é um braço de um dos atendimentos do Centro Municipal de Apoio Educacional Especializado (Cemae) em Maringá. São 19 salas de recursos multifuncional no município e 17 professores com objetivo de complementar o Ensino Regular no contraturno escolar. Proposto pela Lei 8.994/2011 e inaugurado em 2015, o Cemae dispõe de um trabalho de assessoria da educação especial no contexto escolar, envolvendo as deficiências, dificuldades de aprendizagem e transtornos específicos da aprendizagem, bem como acolhimento, aconselhamento e orientação para toda equipe das unidades de ensino, pais e alunos. O Cemae realiza atendimento multidisciplinar a 2,7 mil crianças da 1ª Etapa do Fundamental matriculados na Rede Municipal de Ensino de Maringá com dificuldades no processo de aprendizagem. “O propósito é derrubar barreiras de exclusão e promover a acessibilidade junto aos alunos e professores do ensino regular”, afirma a gerente de Apoio Pedagógico Interdisciplinar, Paula Bacaro.
Informações:Escola Municipal Deputado Federal Ulysses GuimarãesTelefone: (44) 3901-1808Rua Piona. Ana Pastori Buzzo, 273, Zona 19
CemaeTelefone: (44) 3901-1144Rua Vaz de Caminha, nº117, Zona 2 , Maringá-PR