TRÂNSITO

Construção de novo túnel na Zona 6 marca o fim da passagem em nível do trem com a Avenida 19 de Deze

Construção de novo túnel na Zona 6 marca o fim da passagem em nível do trem com a Avenida 19 de Deze
Túnel da Av. 19 de dezembro.
A Prefeitura de Maringá marcou para a próxima segunda-feira, dia 19, a liberação da passagem de trens sob a entrada do novo túnel em construção na Avenida Dezenove de Dezembro.

Na outra ponta do túnel, a 600 metros de distância, ocorrerá a eliminação da passagem em nível no cruzamento da ferrovia com a Rua Arlindo Planas.

A iniciativa vai possibilitar a travessia de veículos nove metros de altura acima dos trilhos nos cruzamentos das duas vias com a linha férrea.

A denominação da Avenida Dezenove de Dezembro é uma homenagem comemorativa à data da emancipação política do Paraná, ocorrida em 1853, quando se separou da província de São Paulo.

A conclusão da obra vai representar o fim da atual passagem em nível de veículos e composições ferroviárias, que diariamente causam longos congestionamentos em uma das principais vias de ligação do centro com a região norte da cidade.

Para marcar a concretização de um antigo sonho dos moradores próximos à ferrovia e motoristas maringaenses, a Prefeitura de Maringá/Urbamar – em comum acordo com a empreiteira CR Almeida, que executa as obras de rebaixamento, e a empresa América Latina Logística (ALL) – programou a passagem do último trem pelo desvio provisório construído sobre o talude da ferrovia para as 19 horas e 19 minutos do dia 19 de dezembro.

A partir das próximas viagens a composição ferroviária vai utilizar os trilhos da nova linha que foi construída nove metros abaixo do nível da avenida.

“Será o começo de uma nova era para a cidade, pois esta etapa das intervenções na ferrovia concretiza todos os investimentos imobiliários realizados no Novo Centro, a ligação leste-oeste e também a integração das zonas 06, 09 e 10 ao centro de Maringá, além do fluxo urbano nessas duas vias de ligação norte-sul da cidade”, comenta o presidente da Urbamar S/A, Fernando Camargo.

Obras de rebaixamento

Em construção desde o mês de outubro de 2010, a cabeceira do túnel na Dezenove de Dezembro é o décimo-quarto cruzamento a ser eliminado com as obras de rebaixamento da linha férrea que cruza a cidade no sentido leste-oeste.

Nesse trajeto de aproximadamente sete quilômetros de extensão foram construídos viadutos nas avenidas Tuiuti, Gaspar Ricardo, Rebouças, Monlevade e na Rua José de Alencar, além do túnel do Novo Centro que eliminou as passagens em nível nas avenidas Pedro Taques, São Paulo, Herval, Duque de Caxias e Paraná e nas ruas Piratininga e Basílio Saltchuk.

Com a construção do novo túnel da zona 6, acabam também as passagens em nível na Avenida Dezenove de Dezembro e na Rua Arlindo Planas.

Todos os viadutos e túneis construídos fazem ligação com as duas pistas marginais da supervia, antes separadas pelo barranco da ferrovia, que obstruía também a ligação entre as avenidas Colombo e Mauá, localizadas respectivamente no setor norte e na região central da cidade.

Orçadas em R$ 118 milhões as obras de rebaixamento da via férrea visam harmonizar o trânsito rodoferroviário no perímetro urbano, desde a Estação Montana (lado leste) até a Avenida Paranavaí (lado oeste), local onde tem início o Pátio de Manobras Ferroviário.

Benefícios dos Túneis e Viadutos

Por meio do projeto iniciado em 1986 pela Urbamar S/A e com as obras do atual convênio, firmado em 2003, as obras de rebaixamento do leito ferroviário aliadas à construção de viadutos, do túnel entre as Avenidas Dezenove de Dezembro e a Rua Arlindo Planas, juntamente com o túnel no Novo Centro, já têm seus objetivos atingidos.

Além de acabar com cruzamentos perigosos no centro da cidade, abrir novas avenidas e antecipar soluções para o transporte coletivo, as obras harmonizam e agilizam o trânsito na área central da cidade, especialmente nos antigos pontos de confronto entre cruzamento de vias rodoviárias com a linha férrea.

O mesmo traçado da ferrovia original, reservando faixas laterais – sem necessidade de desapropriações e indenizações – é aproveitado para implantação de mais duas linhas férreas que, no futuro, servirão para transporte de passageiros pelo sistema VLT (Veículos Leves sobre Trilhos) paralelamente com a linha para cargas.

Outro aspecto favorecido com disponibilidade de trecho, já concluído, é a proposta de implantação do trem “Pé-Vermelho” de passageiros ligando 13 cidades no eixo Paiçandu-Ibiporã.

A opção pela utilização do traçado original da ferrovia também descartou a necessidade de construção de uma variante ferroviária de alto custo, tendo em vista o constante crescimento da cidade e consequentes indenizações ou desapropriações de áreas urbanas e rurais.

A mobilidade entre as regiões norte e sul da cidade foi facilitada com as obras de rebaixamento, além de ter espaço e base reservados para construção de um futuro terminal intermodal subterrâneo de passageiros na área do Novo Centro.

O rebaixamento dos trilhos no perímetro urbano de Maringá também tornou possível a implantação da moderna Avenida Horácio Raccanello sobre a laje em concreto do túnel, acelerando o desenvolvimento da área central.

Túnel da Dezenove

Com previsão de causar efeito imediato, a construção do acesso ao túnel na Avenida Dezenove de Dezembro elimina os tradicionais transtornos provocados pelas composições que atualmente passam, em nível com a avenida, ao menos quatro vezes por dia, causando engarrafamento do trânsito no local.

Ao manter velocidade média de 23 quilômetros por hora e por ter composições de vagões com até dois quilômetros de extensão, os trens provocam congestionamentos de veículos dos dois lados perpendiculares à ferrovia. No lado sul as filas de carros na pista leste da Avenida Dezenove de Dezembro chegam a atingir a rotatória da Praça Sete de Setembro enquanto que, na pista oeste de sentido bairro-centro, os engarrafamentos chegam até o cruzamento com a Avenida Colombo.

Comerciantes eufóricos

A lentidão no trânsito é um dos principais motivos de reclamação de comerciantes e moradores na região. “Ao se depararem com a fila de espera pela passagem do trem muitos motoristas tentam desviar do trajeto, fazem manobras arriscadas, provocam tumulto no tráfego e discutem no meio da avenida. Já vi até motorista de ambulância se desesperar com a fila parada. Agora com a liberação da passagem dos trens por baixo do viaduto, o trânsito e nossa vida vão melhorar muito”, prevê o fabricante de placas para veículos, Henrique Bueno. Também o dono de uma bicicletaria na Avenida Dezenove de Dezembro, Carlos Alberto Ferreira, faz boas projeções para o fim da passagem em nível do trem. “Vai ser bom demais. Nossos ouvidos vão agradecer e o trânsito vai fluir melhor, pois tem horas em que a gente precisa sair rapidamente para fazer um atendimento e não consegue por conta do engarrafamento”, conta.

Dono de bar há 43 anos ao lado da ferrovia, o comerciante Francisco Cincinato da Silva diz que até os maquinistas de trem já o conhecem e “capricham” no apito da locomotiva na hora de atravessar a área da atual cancela. “Sei que fazem um pouco por brincadeira, mas é um dever deles apitar ao passar por este local. Infelizmente o barulho abala os tímpanos dos moradores”, ironiza.

Para o mecânico Francisco Neto – dono de uma oficina instalada ao lado da ferrovia – a buzina do trem também é o que mais o incomoda. “Esse barulho ensurdecedor a todo momento em que passa uma composição vai acabar. Nossa vida vai melhorar 80% agora e atingir 100% quando o túnel até a Rua Arlindo Planas estiver pronto. Vai abafar ainda mais o apito estridente”, avalia.

A conclusão do rebaixamento da ferrovia e a construção do viaduto também já possibilitaram a implantação dos muros laterais que dão suporte à supervia, paralelo à Avenida Guaíra e com 1.100 metros de extensão entre as avenidas Dezenove de Dezembro e Paraná.

Características do novo túnel

Com formato idêntico ao túnel da Avenida Horácio Raccanello, o trajeto de 600 metros do novo túnel entre a Avenida Dezenove de Dezembro e a Rua Arlindo também será semelhante ao existente, com 1.640 metros de extensão, entre as avenidas Paraná e Pedro Taques, no Novo Centro.

A obra já recebeu a implantação de ferragens nas perfurações dos 530 tubulões de concreto que darão sustentação às vigas da laje do novo túnel.

Cada viga terá 16,8 metros de comprimento, ligando as paredes laterais da estrutura e também vão ficar a nove metros de altura em relação à base da linha férrea.

No percurso foi aplicado concreto projetado para a proteção das encostas.

A partir da “boca” do túnel na Rua Arlindo Planas é feita a concordância de nível da ferrovia até a altura da Avenida Paranavaí.